quinta-feira, 26 de junho de 2014

Em Carne e Pedra

         Lecy Pereira Sousa

  
  Uma das maiores ambições humanas era descobrir o que existia além do átomo. Os cientistas chegaram ao que denominaram Quarks. Porém, o que vem antes dos Quarks? Chegaram à Teoria das Cordas. E a pergunta é do que são compostas essas cordas? Permanecemos, então, no campo das teorias.

    Sem partir em busca de explicações reducionistas, mas valendo-se de fontes escritas por pessoas com alguma preocupação de registro histórico (é incrível como uma civilização dotada de admirável genialidade nas mais diversas áreas não tenha se esmerado em deixar escrita a crônica detalhada do seu tempo, após a invenção dos símbolos alfabéticos), o professor Richard Sennet, da Universidade de Nova York e da London School of Economics, cometeu o ensaio Carne e Pedra - O corpo e a cidade na civilização ocidental.
    Engana-se quem pensa que este ou aquele livro só pode interessar a este ou aquele grupo. Uma vez publicado, qualquer livro pode interessar a qualquer um, em que pese o nosso preconceito ou a nossa maneira discutível de elitizar o conhecimento.

    Sendo também autor dos livros A corrosão do caráter, Autoridade e O declínio do homem público, Sennet nos proporciona um épico onde o profano e o sagrado ganham a abordagem sutil e desapaixonada que esses temas merecem. O livro nos embarca numa carruagem vitorianamente decorada, sem nos avisar que os cocheiros são Os quatro cavaleiros do Apocalipse. Como o corpo e a petrificação se relacionam com o poder? Como os aspectos morais e a inobservância destes estão relacionados com o apogeu e o declínio das sociedades no ocidente, a partir de uma pesquisa histórica? Como a descoberta do fluxo sanguíneo implicou no modelo contemporâneo de espaço urbano e sua mobilidade dispersiva?

     Enquanto leitores, um dos maiores erros no qual incorremos é julgarmos um texto pelo título ou pela temática. Dessa forma, nós acabamos criando os redutos e edificando as segregações para onde são empurradas as, ditas, minorias. Fugimos de alguns textos como o diabo foge da cruz temendo uma mudança em nossa maneira sedimentada de pensar. Execramos qualquer tipo de promiscuidade intelectual, muitas vezes em defesa de castelos de areia.

    Carne e Pedra é um ensaio que propõe bons questionamentos para os habitantes das megalópoles e repassa como numa gravação em mp3 todos os erros, manias, estereótipos nos quais incorremos em função do poder desde que o mundo é mundo e o sangue solve e coagula. Como um bom vinho produzido ao sul da Gália, quer dizer, França, Sennet não nos quer embriagar, mas transmitir o conhecimento dos toneis que se misturam à substância da uva. Sempre imerso na certeza de que a sublimação do corpo terá como interseção o simbolismo da lápide, nessa civilização que pouco aprende do seu eterno tempo presente.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Previsões para a Copa do Mundo - 2014


Uma pergunta que cabe em época de Copa do Mundo no Brasil é, quem ganha e quem perde com a ação dos denominados black blocs?

O que podemos notar nas diversas ações terroristas ao redor do mundo, com farto registro na Internet, é que qualquer grupo pode assumir a autoria de ações terroristas aparentemente inexplicáveis. A explosão de um carro-bomba na porta de um hotel com grande movimento de estrangeiros num país em guerra religiosa é um desses exemplos.

Acontece que o Brasil é um país pacífico, dirão muitos, considerando a proporção estatística de cidadãos desarmados. Então, qual seria o plano mais sinistro que um grupo de confronto interno poderia perpetrar? Com base em que tipo de reivindicação? Educação, Saúde e Moradia de qualidade para todos? Mas essa é também a bandeira das religiões cristãs e do bem, pelo menos em seus discursos e cultos. Mas essa é também a bandeira de alguns partidos que se denominam socialistas ou defensores da paz social, pelo menos em seus estatutos e programas eleitorais. Mas essa é também a premissa da Constituição Cidadã. Então, os Black blocs querem o que todos, aparentemente, afirmam querer.

Por outro lado, se as atitudes de depredação dos bens públicos são pautadas pelo niilismo ou pelo simples prazer de irritar o poder de polícia, ante a gigantesca inércia do poder estatal, ante os problemas sociais sempre ampliados por leis ultrapassadas e inalteráveis, as ações violentas ganham contornos de deliquência juvenil e exibicionismo narcísico, mesmo que o sangue de cidadãos pacíficos seja derramado em função dessa vaidade.

 Acontece que até as ações mais estapafúrdias podem ser usadas por grupos sórdidos e especialistas em manipulação da opinião pública. Se jovens insatisfeitos com o Estado não são capazes de apresentar um projeto de reinvidicações bem definido por suas ações violentas, sempre haverá hienas bem preparadas para canalizar intelectualmente os desdobramentos dessa ações sanguinolentas.

O que podemos constatar ao navegar pela Internet é que mães e pais de santo, sensitivos, rasputins, astrólogos, profetas, videntes, estão todos preocupados com alguma tragédia  em plena Copa do Mundo no Brasil. Pode ser que tudo isso não passe de mais uma obsessão messiânica, estripulia illuminati ou o que lá seja. Pode ser que tudo transcorra em clima de plena festa, alegria total e de forma ordeira como se na Suécia estivéssemos. Por via das dúvidas, será de bom tom evitar aglomerações.  Quem costuma sair perdendo nesse tipo de história são, sempre, os cidadãos comuns, pagadores de impostos, desarmados e que acreditam na paz e na confraternização entre os povos.
                                                                                                                                                                                                                                                                        Ycel  Asous