terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Coisa de Cinema


By Lecy Pereira Sousa

E chegou o dia em que, na incansável busca pelo realismo mágico, o cinema incorporou os cheiros às cenas dos filmes.

E todos estávamos numa enorme sala de projeção . Um filme de guerra. Conflito religioso, para variar. Homens-bomba se despedaçavam ante nossos olhos. Cheiro de pólvora umedecida. Aplausos. Passaram para a artilharia pesada. Metralhadoras que nunca descansavam. Homens soltavam seus últimos gritos, abriam os braços e eram arremessados ao chão pela força dos balaços. Cheiro de sangue e fumaça. Aplausos. DIAS DEPOIS...(mostrou o letreiro na tela ) Os corpos, incontáveis, permaneciam insepultos. A decomposição fazia sua festa na carne inútil e os corvos reinavam imbatíveis. O mau cheiro ganhou tamanha proporção que nós fomos obrigados a sair da sala de projeção às pressas.

  Ninguém aplaudiu aquele fim encarniçado.

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