Dia do Cinema Brasileiro: APAN destaca produções que ajudam a contar a diversidade de histórias do país
No próximo dia 19 de junho, é celebrado
o Dia do Cinema Brasileiro, data que marca os 128 anos da
atividade cinematográfica no país e homenageia o primeiro registro em imagens
em movimento realizado por Afonso Segreto, em 1898, na
Baía de Guanabara. A comemoração acontece em um momento de expansão do
audiovisual nacional: segundo a Agência Nacional do Cinema (ANCINE),
o setor encerrou 2025 com R$1,41 bilhão em
recursos públicos efetivamente desembolsados, o maior volume da série
histórica, um crescimento de 29% em relação a 2024. E o Cinema Brasileiro segue
fazendo bonito fora do país: além das indicações recentes ao Oscar, filmes
brasileiros acumulam premiações nos EUA, Europa e Ásia.
Esse cenário de fortalecimento do setor também
passa pelo avanço de políticas públicas voltadas à democratização do acesso aos
recursos de fomento. Ainda é aguardado o resultado da Chamada Pública BRDE/FSA
– Produção Seletivo Cinema 2024, que disponibilizará R$600 milhões para a
realização de filmes. O edital, assim como o Seleção TV Pública, adotou o
inédito conceito de "Empresa Vocacionada", reservando 25% dos
recursos para empresas compostas majoritariamente por pessoas negras, indígenas
ou com deficiência. Para este ano, a ANCINE também anunciou um calendário de
fomento e são esperados novos editais estaduais e municipais ligados aos
Arranjos Regionais, com a expectativa de continuidade e ampliação das ações
afirmativas no audiovisual brasileiro.
Nesse contexto, o cinema negro tem contribuído para
ampliar a diversidade de narrativas e a presença de profissionais negros na
cadeia audiovisual brasileira. Para a Associação dos Profissionais do
Audiovisual Negro (APAN), valorizar essas obras e profissionais também
significa reconhecer a contribuição negra para a construção do audiovisual
nacional.
"Celebrar os 128 anos do cinema brasileiro
também é reconhecer as contribuições de realizadores negros para a construção
da nossa cinematografia. Ao longo das últimas décadas, esses profissionais
ajudaram a ampliar as narrativas sobre o país, trazendo para as telas
histórias, territórios e perspectivas que muitas vezes estiveram à margem da
produção audiovisual tradicional", afirma Tatiana Carvalho
Costa, presidente da APAN.
Para celebrar a data, a Associação dos
Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) reuniu uma seleção de 10
produções disponíveis na plataforma Todesplay que
evidenciam a riqueza temática e estética do cinema negro brasileiro, convidando
o público a conhecer histórias que abordam identidade, ancestralidade, afetos,
resistência e diferentes experiências da população negra no país.
1. Kabadio – O Tempo Não Tem Pressa,
Anda Descalço - 2017
Dirigido por Daniel
Leite, o documentário retrata o cotidiano e as tradições de uma pequena
comunidade muçulmana localizada na região de Casamance, no sul do
Senegal.
2. As Pastoras – Vozes Femininas do
Samba - 2018
O filme dirigido
por Juliana Chagas celebra o protagonismo feminino no samba ao retratar a
trajetória e a relevância das pastoras, cantoras que integram os coros das
escolas de samba.
3. Entreturnos - 2014
O longa, dirigido
por Edson Ferreira, acompanha quatro personagens da Grande Vitória (ES) que têm
seus caminhos cruzados por uma gravidez inesperada, dando origem a uma trama
marcada por desejos, conflitos e relações complexas.
4. Mulheres que Alimentam - 2017
Dirigido por Olinda
Wanderley, o documentário acompanha mulheres indígenas da aldeia Pataxó
Hãhãhãe, na Bahia, retratando sua relação com o território, a luta pela terra e
as perspectivas para o futuro da comunidade.
5. Espero Que Esta Te Encontre e Que
Estejas Bem - 2020
A obra traz um
romance investigativo, onde a diretora Natara Ney utiliza cartas encontradas ao
acaso como ponto de partida para reconstruir a trajetória de um relacionamento
do passado.
6. Esse Amor Que Nos Consome - 2012
No longa híbrido
entre documentário e ficção, Allan Ribeiro acompanha a vida de Gatto Larsen e
Rubens Barbot, parceiros há mais de 40 anos, em um retrato sensível sobre
afeto, arte e convivência.
7. Diga Meu Nome - 2020
Dirigido por Juliana Chagas, o documentário retrata
a trajetória de Diana e Sélem, duas mulheres trans negras do Rio de
Janeiro.
1. Menina Mulher da Pele Preta – Parte 1
- 2023
Por meio das
histórias de Dara, Jennifer e Simone, a obra, dirigida por Renato Candido,
explora diferentes experiências de mulheres negras, abordando questões ligadas
à identidade, aos afetos e à construção da própria trajetória.
2. Menina Mulher da Pele Preta – Parte 2
- 2024
Na Parte 2, Renato
Candido apresenta as histórias de Larissa, Janaína e Deolinda, protagonistas
negras cujas vivências abordam temas como afeto, racismo, ascensão social e
identidade.
3. Corpos Invisíveis - 2023
Dirigido por Quézia Lopes, o documentário acompanha
mulheres negras em reflexões sobre identidade, ancestralidade, maternidade e
resistência ao racismo.
Sobre a Associação de Profissionais
do Audiovisual Negro
A Associação de
Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) é uma organização brasileira que atua
no fortalecimento de profissionais negros no setor audiovisual. Fundada em
2016, a entidade promove formações, laboratórios, festivais, redes de apoio e
ações de incidência política com foco na equidade racial, democratização do
acesso aos meios de produção cultural e valorização das narrativas negras. A
APAN é hoje uma das principais referências em audiovisual negro no Brasil e na
América Latina.
Sobre a Associação dos Profissionais
do Audiovisual Negro
Criada em 2016, a APAN - Associação dos
Profissionais do Audiovisual Negro - é uma organização não governamental, sem
fins lucrativos, apartidária e com articulação, mobilização, incidência
política, ações e representação nas cinco regiões do país. Desde sua criação, a
associação defende o fortalecimento das Ações Afirmativas como princípio e
estratégia política fundamental para a garantia da inclusão da população negra
no setor audiovisual e para o avanço na luta de combate ao racismo no Brasil. A
APAN é fruto de uma articulação histórica de cineastas e profissionais do
audiovisual brasileiro voltadas a potencializar as políticas públicas e as
ações de mercado que fomentem e ampliem o audiovisual negro no país. A APAN,
tem como eixo central para sua incidência a articulação política, pautar e
tensionar a construção de caminhos para o audiovisual brasileiro atento a um
debate racial, de gênero e territorialidade.
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