O Código da Intensidade: Nostalgia e Hackers em "O Rei da Internet"



@lecysousa

A genialidade aplicada em atividades de alto risco não sabe ter paciência. Tudo é para ontem. Se você tem acesso a festas exclusivas, carros de luxo, mulherada ou afins, e tudo isso está relacionado a fontes ilícitas, aproveite, porque o nível de corte está sempre muito próximo.

A juventude tem pressa em superar o bullying nefasto da sua adolescência. É possível que os adolescentes sofram mais com a falta daquilo que parece ser tudo nessa fase da vida. O que Daniel Nascimento (hacker que inspirou o filme “O Rei da Internet”, protagonizado pelos atores João Guilherme e Marcelo Serrado) queria ter, de fato, era um computador nos tempos de ouro do Windows XP. As pancadas, ele ia superando na escola. Entenda, não há spoiler aqui. Há uma subjetivação, considerando que nem pai e mãe sabem exatamente o que seus filhos querem na real.

Daniel tinha o cérebro em polvorosa e tudo precisava ser intenso, semelhante ao estilo de vida do clube dos 27 anos de idade. Porém, essa idade já poderia ser considerada velhice para quem se sentia pronto no seu tempo presente.

O filme “O Rei da Internet” faz um mergulho no saudosismo do Orkut e naquele barulhinho clássico de conexão discada, nos tempos em que a Telemar (que virou Oi, que virou Neo) comandava os orelhões telefônicos e os hackers — ainda na fase júnior da classe — amavam encontrar brechas em qualquer tipo de programação. Trata-se de uma produção com cortes precisos e uma atmosfera Smells Like Teen Spirit. O filme não cansa. Quando falo em cansar, lembro-me do filme “Madame Bovary” (1991).

Inacreditavelmente, tudo aconteceu como um ciclone formando-se em algum ponto do oceano no Sul do Brasil. Quando você descobre que o mundo pode ser seu muito cedo, o que acaba faltando é planejamento estratégico (aprendi um pouco a respeito em Processos Gerenciais). Mas, quando empresários ricaços e poderosos descobrem que quem os faz perder muito não passa de adolescentes leitores da revista Playboy e consumidores de uísque sem pudor, a coisa ganha outro contorno. De alguma forma, quem mais apanha e leva cusparadas na cara nesse planeta é quem tem menos culpa no cartório. Os demais saem de boa. Concordam?

“O Rei da Internet” é uma coprodução da Manequim Filmes, Clube Filmes e Telecine. O filme chegará aos cinemas em 14 de maio de 2026.

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