Festival Raízes Ancestrais coloca protagonismo indígena no centro do debate sobre clima, cultura e futuro em Belo Horizonte



Evento realizado nesta quarta-feira(27/05), reúne e homenageia lideranças originárias, artistas, intelectuais e movimentos sociais em uma grande mobilização pela defesa dos territórios e da vida. A programação terá início com a entrega das homenagens na UFMG e será finalizada com apresentações gratuitas na rua Sapucaí, recebendo atrações como Maria Gadú, DJ Ekanta, Sérgio Pererê, Célia Xacriabá, Sônia Guajajara e atrações indígenas, como Djuena Tikuna, Eric Terena e Brô MCs.

Belo Horizonte recebe nesta quarta-feira, dia 27 de maio a programação do Festival Raízes Ancestrais – Pela Cura da Terra, um grande encontro cultural, político e simbólico que irá reunir lideranças indígenas, artistas, intelectuais, movimentos sociais, universidades, juventudes e representantes da sociedade civil em torno de debates sobre território, democracia, cultura, clima e futuro. O festival propõe uma reflexão pública sobre a urgência de reconstruir as relações entre humanidade, natureza e vida coletiva a partir dos saberes ancestrais.

A iniciativa nasce do reconhecimento de que Minas Gerais é território indígena ancestral. Muito antes das fronteiras institucionais do estado, povos originários já habitavam, protegiam e produziam conhecimento sobre esses territórios. Ao afirmar que “Minas Gerais é Terra Indígena”, o festival reforça a permanência viva dessas culturas, suas línguas, espiritualidades, modos de vida e contribuições fundamentais para o presente e o futuro do país.

 

Mais do que um evento cultural, o Festival Raízes Ancestrais se apresenta como um espaço de encontro entre ancestralidade, arte, política pública, comunicação, juventude e mobilização social. Em um contexto marcado pela crise climática, pelos conflitos territoriais e pela exploração predatória da natureza, o encontro evidencia os povos indígenas como protagonistas de caminhos possíveis para a preservação da vida e para a construção de modelos mais sustentáveis de existência.

 

A abertura oficial acontece às 09h30, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), reforçando o papel da universidade pública como espaço de diálogo intercultural e valorização dos saberes originários. O painel “Minas Gerais é Terra Indígena: Um encontro sobre futuro, território, cultura e clima” reúne importantes lideranças indígenas, intelectuais e representantes institucionais, entre eles a deputada federal Célia Xakriabá, o ministro dos Povos Indígenas Eloy Terena, o reitor da UFMG Alessandro Fernandes Moreira e a liderança e cineasta Suely Maxakali.

 

Um dos momentos centrais do festival será a cerimônia “Embaixadoras e Embaixadores pelo Clima”, iniciativa que homenageia personalidades que contribuem para ampliar o debate sobre justiça climática, direitos indígenas, cultura, ancestralidade e proteção dos territórios.

 

As homenagens reconhecem trajetórias que utilizam a arte, a comunicação, a espiritualidade, a mobilização social e a atuação política como instrumentos de defesa da vida, da memória coletiva e da preservação ambiental. A cerimônia contará com a participação de vários nomes que serão homenageados, incluindo a cantora Marina Sena.

 

Lideranças indígenas homenageadas

 

Entre as lideranças indígenas homenageadas estão Davi Kopenawa, referência internacional na defesa da Amazônia e dos povos originários; Shirley Krenak, reconhecida pela luta em defesa do Rio Watu e pela denúncia dos impactos da mineração; Sirêpte Xakriabá, guardião dos saberes ancestrais e das medicinas tradicionais do povo Xakriabá; Zé Fiuza Xakriabá e Cacique Domingos Xakriabá, referências na defesa do território e da espiritualidade indígena no norte de Minas Gerais; Sueli Maxakali e Suely Maxakali, que atuam na preservação da língua, da cultura e da educação indígena Tikmũ’ũn/Maxakali; Pajé Analice Tuxá, Wasady Xakriabá, Daru Tikuna, Edgar Kanaykõ Xakriabá, além de Jhuena Tikuna, Eric Terena e Gean Pankararu, que fortalecem as pautas indígenas contemporâneas por meio da música, da comunicação e do audiovisual.

 

Também estão entre os homenageados Eloy Terena, pela atuação política e jurídica em defesa dos direitos constitucionais indígenas, e Brô MCs, primeiro grupo de rap indígena do Brasil, reconhecido por transformar o hip hop em ferramenta de denúncia das violências sofridas pelos povos originários.

 

“Falar da cura da Terra é também reconhecer que Minas Gerais sempre foi território indígena. Antes das cercas, das cidades e das mineradoras, já existiam povos cuidando da água, das florestas, das montanhas e da vida. Esse festival é um chamado para o Brasil compreender que não existe futuro sem os povos indígenas e sem a reconexão com os saberes ancestrais. Cura da Terra é cura da memória, do território e da nossa relação com o planeta.”, reforça Célia Xakriabá, deputada federal.

 

Artistas e personalidades homenageadas

 

Entre os artistas e personalidades homenageados estão Marina Sena, por projetar Minas Gerais nacionalmente valorizando a liberdade estética e as expressões culturais populares, Maria Gadú, pelo posicionamento público em defesa dos povos indígenas e das pautas socioambientais; Mano Brown, referência histórica da música como instrumento de consciência política e denúncia das desigualdades sociais; Djonga e Xamã, por ampliarem debates sobre racismo, ancestralidade e periferia por meio da música e Sérgio Pererê, reconhecido pela valorização das culturas afro-mineiras, indígenas e populares.

Também recebem homenagem Renegado, Kdu dos Anjos, Coral, Russo do Coletivo Terra Firme, Lukas du Palko Aberto, Tim do Espanta Crise, Scheylla Bacellar, Tomás Gonzaga, Meninas de Sinhá e Fran Glam Glam, artistas e articuladores culturais que utilizam a arte como ferramenta de fortalecimento comunitário, inclusão social e valorização das periferias.

 

A lista contempla ainda importantes referências da cultura, da educação e dos direitos humanos, como Conceição Evaristo, cuja obra transformou a literatura em território de memória e resistência; Ana Paula Renault, reconhecida pelo posicionamento em pautas sociais e de direitos humanos; Roberto Andrés, pela articulação entre cultura, cidade e ecologia; além de Rainha Belinha, Makota Kássia Kidoialê, Mãe Efigênia do Kilombo Manzo, Mãe Ione, Claudia Mayorga, Gláucia Cristine Martins de Araújo Vieira, Camilo Gan e Lucinha Alvarez, homenageados por suas trajetórias ligadas à preservação da ancestralidade afro-brasileira, da memória coletiva, da cultura popular e das redes de cuidado comunitário.

“A comunicação indígena tem um papel fundamental nesse processo de cura da Terra, porque ela ajuda a romper silêncios históricos e a mostrar que nossos povos seguem vivos, produzindo conhecimento, cultura e resistência. O festival também é um espaço para fortalecer as juventudes indígenas, as mulheres e os comunicadores que usam a imagem, a palavra e a arte para defender os territórios e projetar futuros possíveis.”, destaca a comunicadora Grazy Kaimbé, da Mídia Indígena.

 

Programação Cultural Gratuita

 

O Festival Raízes Ancestrais chega à rua Sapucaí com uma programação cultural que reúne música, arte, performance, mobilização social e presença indígena contemporânea no centro da capital mineira. A proposta do encontro é aproximar diferentes públicos das pautas indígenas, climáticas e territoriais por meio da cultura, promovendo um espaço de celebração, diversidade, resistência e construção coletiva de futuro.


Além das apresentações artísticas, a programação contará com participações especiais de lideranças indígenas, movimentos sociais, artistas e personalidades públicas em um grande ato político-cultural em defesa da vida, dos territórios e da justiça climática.

 

A programação cultural acontece no Circuito Sapucaí, com apresentações musicais, performances e atos político-culturais abertos ao público. Entre as atrações confirmadas estão Djuena Tikuna, Gean Pankararu, Eric Terena, Brô MCs, Maria Gadú e DJ Ekanta, além de participações especiais de Célia Xakriabá, Sônia Guajajara, Shirley Krenak, Marcos Kaingang e Sérgio Pererê.

O Festival Raízes Ancestrais reafirma Belo Horizonte e Minas Gerais como territórios de diversidade, resistência e construção coletiva de futuro, promovendo um encontro entre cultura, mobilização social, espiritualidade e protagonismo indígena contemporâneo.

O Festival Raízes Ancestrais – Pela Cura da Terra é uma criação da Mídia Indígena, com realização do Ministério dos Povos Indígenas e Governo Federal, execução do Instituto No Setor, produção da Maraca Pro e apoio institucional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

Programação Festival Raízes Ancestrais

 

Circuito Sapucaí – palco aberto montado na rua Sapucaí em frente ao número 469

 

Apresentação oficial: Yrewa Krenak e Malu Tamietti

 18h   - Abertura com Comitê Indígena de Belo Horizonte e Povo Pataxó

 18h20  -  Show Magia Negra

 18h30   Show Djuena Tikuna convida Sérgio Pererê

 19h10     Maria Gadú

 19h40   Ato Cultural “Minas Gerais é Terra Indígena”
Abertura com o povo Xakriabá
Participações: Célia Xakriabá, Sônia Guajajara, Shirley Krenak e Marcos Kaingang

 20h20   Fechamento do ato com o Povo Maxakali

 20h35   Show Bros MC’s

 21h10     Erick Terena convida DJ Ekanta

 22h -   Encerramento

 

Programação gratuita

 

SERVIÇO

 

Festival Raízes Ancestrais – Pela Cura da Terra

Data: 27 de maio – quarta-feira

Horários e locais:

09h30 – UFMG – Campus Pampulha – Auditório da Reitoria – Coletiva de Imprensa

10h – UFMG – Campus Pampulha – Auditório da Reitoria – Painel de Abertura e entrega das homenagens, incluindo a presença de vários homenageados.

18h às 22h – Circuito Sapucaí – Programação cultural aberta ao público

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