"A Mulher Que Chora" chegou aos cinemas brasileiros



Com distribuição da Olhar Filmes, produção rendeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Julia Stockler no Sevilla Indie Film Festival, na Espanha, e explora temas como a solidão, alienação, perdas e conflitos
Na quinta-feira (9), “A Mulher Que Chora”, do diretor George Walker Torres, estreou nos cinemas brasileiros

Produzido pela Grafo Audiovisual e com distribuição da Olhar Filmes, a produção combina drama psicológico e suspense, em uma atmosfera misteriosa e uma narrativa que explora solidão, alienação, perdas e conflitos.

O longa-metragem apresenta o olhar de Miguel (Zayan Medeiros), um garoto de sete anos que vive em uma casa antiga com três gerações de mulheres. Uma delas é sua mãe, Elena (Julia Stockler), que, à deriva após o trauma do divórcio, se distancia do menino, que, por sua vez, se refugia em Carmen (Samantha Castillo).

Carmen é uma enigmática imigrante venezuelana que deixou seu filho no país natal e trabalha como empregada doméstica para a família brasileira, tornando-se uma figura materna para o jovem. O vínculo íntimo e inusitado entre os dois aciona o mundo interior de Miguel, apresentando-o a um universo em que o real e o imaginário se cruzam.

Carmen conta diversas histórias a Miguel, que escuta com muita atenção. Entre elas está a história da “mulher que chora”, uma das mais famosas lendas do folclore latino. Após ser abandonada pelo marido, uma mulher, em um acesso de desespero e vingança, afoga os próprios filhos em um rio. Queimada viva após o acontecimento, ela se transforma em um fantasma errante em busca desesperada por sua prole.

A história intriga e emociona o garoto, tornando-se uma obsessão quando ele descobre uma velha mulher sem teto vivendo com seu cão na floresta tropical que contorna a casa. Ele acredita que essa figura é a “mulher que chora”, que veio para levá-lo embora. Mesmo assustado, toma a decisão de entrar na mata para encontrá-la, pois acredita que a mulher fantasma precisa de sua ajuda.

“É um filme delicado, um drama contado de forma poética e obscura. A atmosfera de mistério e suspense traz uma tensão constante, promovendo reflexões sociais por meio do olhar inocente e questionador de uma criança”, comenta o diretor George Walker Torres, que também assina o roteiro da produção.

“A estética visual da produção é marcada por um contexto opressivo, com jogos de claro-escuro e cores não saturadas, que remetem à pintura barroca. A intenção é criar um universo denso e expressivo, que reflita o mundo interior dos personagens”, completa o cineasta, que atuou como roteirista nos filmes “Marighella” (2019), de Wagner Moura, e “O Rio do Desejo” (2022, 46ª Mostra), de Sérgio Machado.

Destaque no Sevilla Indie Film Festival, onde levou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante em Longa-Metragem para Julia Stockler e o Prêmio Bronze de Melhor Filme, a produção ainda conta no elenco com Rosana Stavis, Regina Vogue e Nena Inoue.

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