Lecy
Sousa
Eis que começo a
funcionar em meu modo biológico 5.6 e não posso afirmar qualquer coisa de forma
segura ou cheio de convicções.
Essa é uma
jornada em que somos um tipo de sommelier (pesquise). Algumas vezes,
sabemos que estamos a experimentar As Vinhas da Ira1, outras
vezes um suco de uvas sem qualquer tipo de agrotóxico. Porém, isso não está
diretamente sob nosso comando. Ah... são tantas ilusões... e paixões também.
Pode parecer cafona, mas me apaixonei e não foi pouco e, para minha surpresa,
continuo a me apaixonar, mas com algum refinamento. Qual milho não fica
refinado em moinho de pedra?
Encontrei, pelos
supostos caminhos, quem queria me ferrar (literalmente, na base do ódio) e quem
queria ser ferrada (no sentido de pessoa) por mim. Nunca entendi como tantas
contradições podem caber num corpo humano...
Há quem prefere te ver pelas costas, sem qualquer fetiche.
Para compensar
agruras, encontrei corações generosos, para além da dor e da privação tão
comuns às injustiças tipicamente mundanas. Encontrei sorrisos, conforto de quem
parecia, de forma mediúnica, saber o tamanho do seu/meu abismo. É sério, nunca
ambicionei trofelizar coisa alguma. Como amo tomar banho de cachoeira. Andar
por qualquer lugar, meio sem bússola, parece dopamina in natura. De
alguma forma, tenho aprendido a deixar as pessoas em paz (essa aparenta ser a
parte mais difícil para a maioria de nós). Isso nada tem a ver com ignorar o
ser e estar alheio.
É bom aprender a respirar sabendo que nada nos
pertence. O que gravita em nossos elétrons é nosso, sem papel passado. Como bem
sabemos, papel dissolve em lágrimas ou arde em fogo.
Espero seguir
sentindo o sabor de aventura, enquanto houver essa composição chamada de
física. Aprender a amar, sem culpar, é uma odisseia e tanto.
Para finalizar, esse texto não é uma prosa poética. Ao menos, na minha
opinião.
1 Romance publicado por John Steinbeck em 1939
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