sábado, 1 de novembro de 2014

Partidos que apoiam pedido de intervenção militar não têm compromisso com a Nação


É lamentável ver, ao final de 2014, numa manifestação pública em São Paulo (sugerindo o impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff), gente ostentando cartazes pedindo (quase implorando) a intervenção militar no Brasil.

Só quem sentiu na pele aqueles anos sabem o tamanho do atraso que a ditadura militar impôs ao Brasil. Se hoje estamos tão atrasados tecnologicamente, algo criticado pela juventude direitista (o comum é jovens serem de esquerda, mas hoje em dia tudo está avacalhado e muita gente nem sabe o que é ser de esquerda ou de direita, mesmo em tempos de Wikipedia), a culpa é da postura conservacionista dos generais. Cito esse que foi o menor dos males. A situação foi infinitamente pior. É, no mínimo, ignorância clamar por militarismo. 

Vale lembrar que não foi o PT que inventou a subvenção partidária e que a corrupção política cresceu com a irrelevante participação do povo no Congresso Nacional durante o processo de redemocratização do país. O povo era incentivado a ir às ruas defender a democracia, mas não tinha como acompanhar o que sempre aconteceu em Brasilia. Esse papel coube a uma Imprensa aparelhada desde a reinvenção do direito de voto. Com a Internet, e a democracia em andamento, a pressão popular tende a aumentar não importando quem seja o presidente (eleito) do país.

Se o PT trata como heróis os traidores de sua legenda, esse é um equívoco pelo qual o partido há de responder perante os seu militantes. Já os crimes contra o estado (corrupção ativa, passiva, tráfico de influência, formação de quadrilha - embora a justiça não concorde muito com esse enunciado), cabe às instâncias jurídicas determinarem as penas mediante as provas. Delatar sem provar é o mesmo que nada. E mesmo provando, os advogados de defesa usarão de todos os subterfúgios para minimizar a pena do réu. Funciona dessa maneira para qualquer partido, onde os eleitos contam com foro privilegiado. Se querem melhorar essa forma de punição que reformulem os artigos constitucionais e o Código Penal. Um  presidente não pode decidir pelo Poder Judiciário considerando as limitações constitucionais. Querem mudar isso? Não adianta trocar presidente. É preciso mudar as leis.

Acerca dos planos imperialistas de qualquer partido, seja de esquerda, direita ou centro, cabe ao estado democrático de direito cuidar para que tais planos antidemocráticos na se concretizem. De que maneira? A constante vigilância e o policiamento ostensivo do processo eleitoral feita pelos partidos oficiais e pelos eleitores. Solicitar recontagem de votos é abrir um precedente perigoso, uma vez que menospreza a Justiça Eleitoral e pode induzir solicitações retroativas, ou seja, a exceção tende a virar regra. Se puder pra A, há de poder para B,C,D...

A alternância de poder, quando existe democracia, só pode ocorrer pelo sufrágio do voto, ou pelos motivos que a Constituição preconiza. Prevalece a vontade da maioria. Uma das formas de afastar o fantasma de qualquer tipo de imperialismo é acabar com a reeleição. Pergunta: o povo brasileiro quer mesmo acabar com reeleição? Então é bom a gente exigir uma reforma política doa a quem doer.

Agora, ir para as ruas pedir o retorno dos militares e ameaçar de morte uma presidenta reeleita não representa as pessoas de bem que temem pelo presente e pelo futuro de seus filhos, netos e bisnetos nesse país. Aonde estão os partidos políticos nessas horas?

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