sábado, 10 de maio de 2014

Pelos caminhos da imaginação

Lecy Pereira Sousa

Tex Willer e seus amigos
Não sei se é habito ou a falta dele, mas me coloco a ler dois, três livros, interrompendo a leitura deles em parágrafos e páginas aleatórias e retomando dali em dias também alternados, sem a sensação de perder a trama ou confundir os enredos.

Há livros que "esperam" demais que eu retorne a eles. Outros são lidos sôfregos. Aquelas narrativas que não empolam. Como aqueles pilotos que completam a corrida com uma troca de pneus sem perder posições. Desconfio que o cérebro é um complexo emocional cheio de caô. Por exemplo, há mais de duas décadas, a lembrança de Natal que ficava em minha mente era a de uma época cheia de neve em que eu assistia ao especial de Natal do Zé Colmeia e sua turma. Enquanto só chovia no mês de dezembro, eu me perguntava: cadê a neve? A neve estava nas revistas da turma do Bolinha e do Natal do Mickey. Sim, porque eu me pegava lendo toda e qualquer revista em quadrinhos que na minha mão caía. As de faroeste também. Confesso que eu não gostava daquele estilo assassino, mas eu me sentia o próprio Tex Willer, herói do Velho Oeste criado por um... italiano. Imaginem... um italiano que tem fã-clube no Brasil.

Hoje, eu não me lembro bem de como essas revistas chegavam às minhas mãos. Acho que eu pegava emprestado de alguém ou conseguia comprar algumas com o dinheiro que ganhava de parentes. O cenário de agora é muito diferente. Você pode ler quilos de revistas virtualmente, sem falar nos animes japoneses que causam furor entre os jovens  e incentivam os cosplay, assunto para outro texto. Dificilmente, ou nunca, você terá na televisão as opções que encontra na Internet. A menos que a televisão se transforme em Internet.

A impressão que fica é a de que, hoje, o Natal é mais técnico. Refiro-me ao Natal comercial e não ao Natal primitivo, mais próximo dos princípios cristãos. E a neve, por essas bandas, não passa de ficção em shopping.

Ainda bem que havia revistas e desenhos animados a me proporcionarem o mínimo de fantasia em tempos nada fantásticos. Sem qualquer tipo de nostalgia, mas de boas lembranças, a infância é o terreno que o adulto no qual somos forçados a nos transformar, por questões evolutivas, jamais conseguirá minar com sua visão de realidade crua, limitadamente crítica e, por conseguinte, vazia de inocência.
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