segunda-feira, 5 de maio de 2014

A fábrica de robôs


                                                                              Lecy Pereira Sousa
Confesso que saí meio autômato de "A fábrica de robôs"(1920), livro de Karel  Tchapek, renomado autor tcheco que criou a palavra "robô", tão conhecida ao redor do mundo. O livro é traduzido por Vera Machac, tradutora juramentada da Junta Comercia de São Paulo.
Então, devemos temer os robôs? Ao ler essa peça teatral de Karel, nada mais shakespereano, penso que sim. É um livro de fácil leitura? Hmmm, deixe-me ver, depende do nosso conceito de dificuldade. E onde eu falo "nosso", estou me referindo à individualidade da mônada como bem abordou o grego Platão, pelos idos de Antes de Cristo(não confundir com anticristo, please).
Sinceramente, não é nada confortável saber que estamos superados pela inteligência artificial, mesmo antes do nosso ritualístico fim biológico. Mas se o problema é comparar, basta lançarmos um olhar para o que se passa no universo. Pronto. Estaremos definitivamente humilhados e feridos em nosso orgulho de seres "superiores". O universo desmistifica qualquer conceito de grandeza individual.
Tchapek nos assombra com seu estilo de teatro do absurdo semelhante a Edward Albee com o seu, inesquecível, "Quem tem medo de Virgínia Woolf". O  mundo onde máquinas e homens vivem felizes para sempre  parece não caber no planeta Terra. A substituição do trabalho humano pelo trabalho robótico, aos poucos se transformando numa substituição full time. Está criado o cenário (tudo a ver com teatro) para calorosas discussões existencialistas. Os robôs proporcionarão um mundo melhor de se viver para todos, sem distinção? E, uma vez, fazendo tudo que caberia aos humanos, o que mais eles reivindicarão ao superar qualquer inteligência mamífera? Seríamos todos meio personagens de Tchapek? Todos saídos da fábrica Robôs Universais Rossum?
Como uma das piores coisas que um mesorresenhista pode fazer é dar o spoiler completo de um livro, fica a quem se aventurar a ler, a esperança ou o elemento que, de alguma maneira, poderá nos salvar de nós mesmos, segundo o autor. Medo...
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