domingo, 17 de março de 2013

O caldeirão do paraíso

Bem sabemos que o Brasil é um país curiosamente sincrético. Aqui, as religiões se namoram numa espécie de orgia santa em que os fiéis temem mais os pregadores do que o real motivo da fé.
É também curiosa a sede que líderes "religiosos" têm por cargos políticos, o que representa uma completa promiscuidade das denominações Estado e Igreja. Houve um tempo em que essa separação parecia fazer sentido, mas os novos tempos esculhambaram com essa postura e hoje o governo loteia seus cargos com supostos líderes religiosos porque eles  podem obrigar seus fiéis a votarem em A ou B alegando ser uma determinação do espírito santo (com minúsculas mesmo).
A pergunta é: qual será o resultado disso? A julgar pela última "escolha" para presidir a Comissão dos Direitos Humanos e Minorias, o Brasil ruma para uma guerra político-religiosa em que fiéis antes ecumênicos e pacíficos tendem a partir para agressões inicialmente verbais e depois físicas usando as preferências religiosas como escudo.
Mas não nos enganemos. O povo brasileiro não parte para as vias de fato por livre e espontânea vontade ou porque é plenamente consciente dos seus direitos e deveres. Caso essas agressões sanguinárias comecem elas serão orientadas pelo capricho de supostos líderes religiosos que se dizem ungidos e são capazes de incitar a violência alegando que essa é a vontade de Deus como nós estamos cansados de ver acontecer em países fundamentalistas.
É direito de cada ser humano aprovar ou não aprovar os tipos de comportamento sexual existentes por aí. Ocorre que o Estado Brasileiro definiu em sua Constituição que ninguém será discriminado por cor, sexo, raça, religião, etc. Então, como fica isso? Quem é mais razoável: o Estado ou a "igreja" disfarçada de Estado?
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