quinta-feira, 31 de março de 2011

O poeta Rogério Salgado por Rodrigo Leste






domingo, 20 de março de 2011

VESTÍGIOS DE UMA NINFA DIVA

9 meses e agora José?

    "Aires Alves" <aires.alves@gmail.com> Mar 20 04:53AM ^
    "Não é uma casa com coisas de valor, é uma casa com coisas do espírito" A Casa de José Saramago é uma casa feita de livros. Pilar del Río quer que a habitação em Tías cheire a casa, a vida, a cão. A inauguração foi sexta-feira. A tradução para castelhano da biografia Vida de Samuel Johnson, escrita por James Boswell, o último livro que José Saramago leu e a que voltava muitas vezes, está pousada em cima da secretária onde escreveu Ensaio sobre a Cegueira e Todos os Nomes. O escritório do escritor é um dos espaços íntimos que a partir de segunda-feira está incluído no percurso que os visitantes poderão fazer pela casa onde passou os últimos 18 anos, em Tías, Lanzarote, nas ilhas Canárias. Também se poderá entrar na sala, onde se sentava todas as noites rodeado de quadros que artistas fizeram a partir dos seus livros; espreitar da porta o quarto onde o escritor morreu; parar um pouco na cozinha - com direito a um café português - e seguir depois pelo jardim até ao edifício, ao lado, onde se poderá também visitar a Biblioteca José Saramago e onde foi montada uma loja. Aí poderão ser compradas t-shirts e sacos de pano com frases do autor, postais, vídeos e a obra de Saramago nas várias línguas em que está traduzido - mas não haverá livros em castelhano para não se fazer concorrência à única livraria que existe em Tías e que o escritor frequentava. Ontem, dia em que se cumpriram nove meses da morte do escritor, na inauguração oficial de A Casa e a Biblioteca de José Saramago, em Lanzarote, participaram na cerimónia a família mais próxima de Saramago (a sua filha Violante e os netos, Ana e Tiago), o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, e a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto - que anunciaram que a Casa dos Bicos termina as obras em Agosto, altura em que será entregue pelo município à Fundação Saramago, que depois a abrirá a partir do Outono. Também lá estiveram o editor português Zeferino Coelho e os seus editores de Itália e de Espanha, a agente literária da Alemanha e o biógrafo Fernando Gómez Aguilera, que fez a exposição A Consistência dos Sonhos. Vieram ainda outros amigos, "pessoas anónimas que todos os dias 18 de cada mês se reúnem para ler José Saramago à porta da Casa dos Bicos, porque não encontraram um lugar que tivesse mais significado", explicou Pilar del Río, a viúva do Nobel da Literatura. "Parece-me uma coisa absolutamente emocionante que 25 pessoas, anónimas, tenham pago uma fortuna para estarem neste dia em Lanzarote." Mostrar ou não o quarto? Há uma "lógica poética" na escolha desta data para a abertura oficial da casa de José Saramago ao público. É que ontem passaram exactamente nove meses depois da sua morte e aqueles que leram o romance O Ano da Morte de Ricardo Reis sabem que nove meses é o tempo que se leva a morrer. Por isso, coube à escritora Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, ler em português passagens do romance de Saramago, onde a personagem Ricardo Reis tem uma conversa com Pessoa, que está morto, e lhe explica que são precisos nove meses, "tantos quantos os que andámos na barriga das nossas mães", para que os vivos se esqueçam dos mortos. Desde que Pilar del Río anunciou, em Novembro, que iria ser possível visitar a casa onde viveram os dois foi preciso correr "como loucos" para conseguir licenças e papéis para que todas as leis necessárias para se ter um edifício aberto ao público fossem cumpridas. O piso do exterior da casa foi alterado, os quartos-de-banho foram adaptados para que pudessem entrar cadeiras de rodas, o circuito que os visitantes farão foi sinalizado com saídas de emergência, etc. Pilar del Río explica que a decisão do que se ia mostrar ou não da casa surgiu "por senso comum". Ela não queria incluir no percurso o quarto de dormir (do casal e onde Saramago morreu no dia 18 de Junho de 2010), mas fizeram estudos e pediram opiniões a peritos internacionais, que lhes disseram que era "imprescindível". "Eu não queria. Mas tivemos de mostrá-lo, mesmo que as pessoas só o possam ver da porta e a entrada esteja barrada. Tive que me convencer. Primeiro, porque é o que as pessoas querem ver. Segundo, porque eu também já fui visitar muitas casas onde viveram escritores e todas mostram os quartos. Por exemplo, na casa onde morreu Tolstói, há uma peregrinação e toda a gente o quer ver", explica Pilar del Río, que continua a dormir naquela cama, naquele quarto. "Dormi aqui todos os dias da minha vida", diz. "Isto não é uma casa-museu" E acrescenta: "É que isto não é uma casa-museu. É uma coisa que eu gostava de deixar clara: é A Casa de José Saramago". E explica melhor: "Primeiro, porque é uma casa em que se vive. A partir das duas da tarde, quando acaba a última visita, então eu posso andar por aqui como estou agora com vocês. Segundo, quis - e por isso firmámos um acordo com a Delta - que esta casa cheirasse a café e, por isso, queríamos oferecer um café português. Porque quero que cheire a casa, a vida, a cão". Durante a maior parte do tempo, Pilar del Río estará a viver em Lisboa. Disse ontem em Lanzarote que já tem a dupla nacionalidade: espanhola e portuguesa. Mas, nos momentos que estiver aqui, estará "perdida". É verdade que a casa tem zonas privadas, o andar de cima, os quartos da cave que não foram quartos habitados por José Saramago, não estão vinculados a ele. Se estiver na casa, será nesses espaços que a mulher de José Saramago se resguardará. A primeira pessoa a quem Pilar pediu conselhos sobre a hipótese de abrir a casa ao público deu-lhe a ideia de que ela falasse dos quadros; por isso, a visita incide muito sobre as obras de arte que pertenciam ao escritor (um quadro de Joan Miquel Ramírez está logo à entrada, um quadro de Rogério Ribeiro que se vê sobre a cómoda, obras de Graça Morais, de Pomar, outra do pintor Santa-Bárbara que está na sala sobre Memorial do Convento, um Tàpies). "Vamos mostrar de onde veio cada peça, o que veio da China, o que foi oferecido por presos políticos, a colecção dos cavalos. Não é uma casa com coisas de valor, é uma casa com coisas do espírito. Todas as coisas, incluindo a mais anónima, têm uma história." Dois guias irão fazer as visitas, que começam segunda-feira, das 10h às 14h, e a Casa e a Biblioteca poderão ser visitadas em grupos reduzidos de não mais do que 15 pessoas, a cada meia hora. A Casa vai estar aberta ao público de segunda a sábado e a entrada custará dois euros para os habitantes de Lanzarote, oito euros para os visitantes de fora. (Público) Com amizade, Aires Alves Contactos: E-mail e Messenger: aires.alves@gmail.com Skype: aires.alves Inscrição no Jornalinho: redacao.jornalinho@gmail.com

sábado, 19 de março de 2011

Os Quatro Elementos