segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Teorias de Guardanapo - 1ª Versão

" TEORIAS DE GUARDANAPO

ESSENCIALMENTE INÚTEIS"




I – Vou te sendo palavras

Ao vivo diante da morte



II – Eis o epitáfio do mundo inteiro:

"Aqui jazz todas as gerações

que viviam com o rei na barriga"



III – Hoje eu quero

Rimbaudar de poesia

Harodaugustar poemas concretos

Olavar bilacamente minha cara/

de pau

Então urubu será pomba da paz





IV – Poesia de verdade

Só uns gatos pingados fazem( MIAU!)

Eu sou uma hiena deslumbrada

Com tanta sinceridade.



V – Quando você chegar lá

Lembre-se que eu também sou gente

E mereço gozar no paraíso.



VI – Tamanhos são os absurdos

Mas seguimos todos mudos

Nas praças do submundo.



VII – Criticando a razão pura

Poesia de pobre é marginal

Poesia de rico é intelectual

Eu sou um animal

Admirando o céu da Pangéia.





VIII – Tudo é poesia

Sinta a imponência do T

A concavidade do U

A dádiva do D

A profundidade do O

Tudo é criação!





IX - Uns morrem de implosão

Outros vivem de explosão

Alguns mais de exploração

Dizendo que deus é grande

Eu sou um jumento

Vagando por Jerusalém

Ouvindo Ave Cezar em cada esquina.



X - Reivindico o direito

De ser cara ou coroa

E de não sê-las

Talvez um selo numa carta

Rumo ao extremo Norte.



XI - Se nada de relevante

Tenho a dizer

Passo a escrever

Sem a menor preocupação

De ser compreendido

Nas entrelinhas .



XII – Em meio a tanta inteligência

Nesse mar de gente sabida

Pseudosei um monte de coisa alguma.



XIII – PREDOMINA

TE MENTE

O HOMEM

SOMENTE



XIV – Vejo copos-de-leite

Florindo pelos campos

Vejo damas da noite

Perfumadas e de salto alto

Vejo a menina dos olhos

A pupila se olhando no espelho.







XV – Se houver amanhã

Eu quero que faças

Um favor a você

Deixe o bicho de estimação

O ensaio pitagórico

A arrogância de sempre

A puta que não te pariu

Seu professor de técnicas vocais

E vá ver o sol nascer

Teus olhos jamais verão

Idêntico espetáculo

Nem se houver amanhã.



XVI – Com toda sinceridade

Olhe bem no fundo

Desses meus olhos disfarçados

E responda sem pestanejar

Onde posso enfiar tamanha lucidez

Ante a embriaguez do mundo.



XVII – Em cada esquina

Há cadafalso

Mamãe faz café da manhã

Eu faço poema da noite

Em cada esquina

Há um assalto

Corre vamos fugir

Pelo asfalto que nos persegue

Alguém faz cem por hora.



XVIII – Os ossos partem

Para qualquer lugar

Seguem para o pó das estrelas

Partem para o Leste

Quebram na esquina Norte-Sul

Vão para um céu calcificado

Marcham cedo e esqueléticos

Partem estalando doidamente

Vão devagar e sofridos

Partem todos os ossos

Cai uma lágrima do olho da carne.



XIX – Certas mudanças

Vêm de avião

Outras nem saem do chão

Algumas morrem atrofiadas

Por falta de irrigação sanguínea.



XX – Dormirei agora

E ao acordar saberei

Que a mãe de todas as guerras faleceu

E o caixão segue cheio de flores

Restando aos órfãos desconsolados

Ouvir o canto alegre dos pássaros

E ver revoadas de pombas da paz.







APÊNDICE (QUASE ESTOURANDO):



Nesse mundo

reina o conceitual

de doce ou de sal.





Existir é vital

Inexistir é inevitável





Homem que sou

Minto e omito

Mal ou bendito

Mesmo assim

Tudo vira mito.





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