quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ensaios Improvisados IV

By Lecy Pereira Sousa


Se formos avaliar detidamente a situação política e geográfica do mundo chegaremos à conclusão que é mesmo complicado compreendermos a nossa própria condição social. Claro, porque de alguma forma estamos condicionados ao meio em que nascemos, à família a qual pertencemos, à religião a qual somos impostos num primeiro momento. Posteriormente, e isso dependerá exclusivamente da forma como reagiremos a toda essa pressão, poderemos, usando um chavão pouco cortês, picar o pé em tudo e ressignificar (palavra polêmica ) nossas vidas arcando ou não com as consequências de nossas atitudes.

Lançando uma luneta (luneta é pouco, melhor lançar um telescópio) sobre a situação de israelenses e palestinos, melhor seria deixar qualquer explicação convincente para os historiadores ou para os profetas de plantão. Sim, pois se a situação daqueles povos vier a ser resolvida por uma guerra mundial (guerras costumam ser deflagradas por qualquer problema caseiro), os profetas e videntes se regozijarão por verem solidificadas suas expectativas, como quem diz: nós já sabíamos. Bem sabemos que problemas locais são melhor compreendidos por povos locais. O resto não passa de especulação que chega às raias da metafísica.

Num mundo hiper capitalista e hipnótico como o que nós, os ocidentais, vivemos, difícil é entender a ortodoxia de povos que dão valor nenhum à existência física seja de jovens ou adultos e que seriam capazes de ver seus próprios filhos explodirem em nome de uma causa que, segundo eles, é avalizada por deus. Naturalmente, esse não é o Deus dos cristãos. Cristo esse que, como registra a literatura, pregou o perdão diante da humilhação (ele sabia, por antecipação, qual seria sua recompensa). Por sabe-se lá que ironia histórica, o Yeshua "decidiu" nascer naquele pedaço de chão que mais parece uma concubina desejada por varões suicidas sempre convictos da unção divina. Espero não ser taxado de inimigo do Islã ou motivo de escândalo para os cristãos.

Em enfrentamentos sanguinários de tal ordem, há que se ter alguma pena das crianças indefesas diante da própria fragilidade e da falta de diplomacia de seus pais que os impedem de verem o mundo de uma outra forma (quem pode garantir que uma criança islâmica não sentirá vontade de ser cristã e vice-versa?), das mulheres grávidas e dos idosos incapazes. Esses deveriam ser colocados distantes daqueles que amam imolarem e serem imolados. Há registros de que os mongóis, ao decidirem exterminar um povo, acabavam também com cães, gatos, passarinhos, grilos, sapos e qualquer ser vivente vinculado àquele povo. Mas após a ONU, isso é considerado uma barbárie inadmissível.

Gostando ou não a ONU, em termos de guerra, os países considerados poderosos em armamentos atômicos, industrialismo e comércio comportam-se como bem entendem. Nessas horas, os anos passados em estudo para formar um diplomata são considerados absolutamente inúteis. O imperador romano Calígula nomeou seu cavalo Senador. Em época de conflitos religiosos e políticos qualquer cavalo pode ser diplomata. Todas as normas são abolidas, todos acordos de cidadãos são jogados na descarga. Passa a valer o olho por olho, dente por dente bem ao estilo dos líderes religiosos do Antigo Testamento que sempre se sentiam ungidos por Deus para decretarem qualquer guerra. Nunca se ouviu algum povo falar que estava ungido por satanás para matar inocentes pelo fio da espada. Isso revela como a figura é desprestigiada nos anais da História. A considerar essa perspectiva, então deus é o grande responsável por todas as guerras e os vencedores sempre se consideram abençoados por ele.

Resta saber que deus é esse. Naturalmente, os líderes de religiões que se odeiam têm a resposta na ponta da língua.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Coisa de Cinema


By Lecy Pereira Sousa

E chegou o dia em que, na incansável busca pelo realismo mágico, o cinema incorporou os cheiros às cenas dos filmes.

E todos estávamos numa enorme sala de projeção . Um filme de guerra. Conflito religioso, para variar. Homens-bomba se despedaçavam ante nossos olhos. Cheiro de pólvora umedecida. Aplausos. Passaram para a artilharia pesada. Metralhadoras que nunca descansavam. Homens soltavam seus últimos gritos, abriam os braços e eram arremessados ao chão pela força dos balaços. Cheiro de sangue e fumaça. Aplausos. DIAS DEPOIS...(mostrou o letreiro na tela ) Os corpos, incontáveis, permaneciam insepultos. A decomposição fazia sua festa na carne inútil e os corvos reinavam imbatíveis. O mau cheiro ganhou tamanha proporção que nós fomos obrigados a sair da sala de projeção às pressas.

  Ninguém aplaudiu aquele fim encarniçado.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Primeirapessoaplural na livraria Martins Fontes Paulista

Primeirapessoaplural na Martins Fontes

O livro de poemas Primeirapessoaplural do poeta de Contagem Lecy Pereira Sousa está no catálogo de vendas da livraria Martins Fontes Paulista. A Martins Fontes é uma das maiores livrarias do país e inova disponiblizando publicações de novos selos em seu catálogo eletrônico.

O livro foi publicado pelo selo Àrvore dos Poemas criado por Diovvani Mendonça, o poeta idealizador do Projeto Pão e Poesia. Diga-se de passagem, o Pão e Poesia foi aprovado por Lei de Incentivo Estadual para o ano 2009. Para conferir a divulgação da Secretaria Estadual da Cultura de Minas Gerais basta clicar aqui

Os internautas que quiserem deixar um comentário simples, enviar a dica para amigos ou mesmo adquirir o livro através da Martins Fontes Paulista podem acessar o link direto do livro clicando aqui

Pão e poesia para todos!



terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ode Urbana



(De ODE SENSACIONAL)



fluxos torrenciais de faróis encobrem o anoitecer de fuligens

nas avenidas de contornos serpentinos e labirintos de alamedas

onde trinta e sete por cento da população economicamente ativa
vive na informalidade do subemprego

ou vultos se abrigam sob as tendas de concreto armado –

elevados cruzam hipervias em alta velocidade Setenta por cento
dos veículos com IPVAS em dia em velocidade superior a sessenta
quilômetros por hora

quando os quatro vagões do metro ( s e suas quarenta janelas)
iluminam os pilares dos viadutos

e dois vultos em trapos contemplam o desfile cinematográfico de
faces

e olhares se derramam na sucessão de trilhos e luzes noturnas

os pirilampos frutos de monstruosas turbinas de grotescos
megawatts

fritando as pupilas e impulsionando os motores e roldanas

nos níveis e subníveis de plataformas e estações

e os subterrâneos e os quilômetros de canais e quilômetros de
fios sepultados

e as galerias e sondas e trituradoras e carrinhos de tração

extraindo riqueza do subsolo para a ganância dos escritórios

nos arranha-céus de argamassa e vidro a flutuarem meio aos
anúncios néon

quando não ofuscados pela fuligem das chaminés pós-industriais

nas torres pós-modernas de alumínio e isopor e laminados
e recicláveis

onde funcionários sorridentes ocultam o estresse diário sob roupas
de fios artificiais de conhecida marca

em cortes de alta costura e detalhes os mais inusitados

manuseando teclas e mensagens nos telefones celulares

sob a carícia dos condicionadores de ar nos mundos lacrados

no paraíso das máquinas em apoteose nos domínios virtuais

na efici6encia topográfica das infovias no mainfream dos
servidores

na performance tecnoestética dos supercondutores

até os limites do deserto do real palmitando o cyberespaço
das neo-mitologias digitais

quando a tecla pressionada responde ao toque com promessas
de orgasmos

no cruzamento de magias e tecnologias de última (e pós-última)
geração

engavetando juventudes nos vãos dos edifícios suburbanos

nas velocidade tremulantes dos coletivos intermunicipais

além de conflitos de ocupação dos espaços públicos (e dos
serviços públicos)

quando as autoridades buscam o bem-estar social e o bem
comum através do poder público

(segundo consta nos parágrafos e incisos da lei orgânica
do município )

na paisagem lunar dos estacionamentos no abandono das autopistas
noite adentro

sob a névoa rubra de mercúrio na brisa arrepiando o asfalto

no agito das lojas de conveniência e artigos para consumo

no trânsito vertiginoso de veículos de duas rodas nos
acidentes com fratura múltipla

sob os lampiões voltaicos e a lua cheia fatiada por fios de
alta tensão.


BH – Contagem – Betim
Noite de 20 fev 06


Leonardo de Magalhaens

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Autor conta poesias na cidade



Foto: DIVULGAÇÃO
AUTOR é um dos poetas colaboradores do Projeto "Pão e Poesia"
LITERATURA
Autor conta poesias na cidade

Fundador da Academia Contagense de Letras lança primeiro livro impresso

Oescritor, contagense de coração, Lecy Pereira Sousa lança, oficialmente, a obra "Primeira Pessoa do Plural", Editora Árvore dos Poemas, neste sábado (20), a partir das 21h, no Armazém Bar Cultural. O artista, que atua em parceria com o projeto "Pão e Poesia", de Diovvani Mendonça, escreve contos, crônicas e poesias. Lecy é natural de Almenara, interior de Minas, mas diz que "cismou" de pertencer a Contagem. Ele já lançou um e-book (A coleção dos sentidos) e ainda tem vários textos espalhados na Internet. Além disso, participou do projeto "Terças Poéticas", que leva textos aos jardins internos do Palácio das Artes, e também do "A Tela e o Texto" da UFMG. O autor trabalha como auxiliar de biblioteca na Escola Municipal Giovanini Chiodi, do bairro Ipê Amarelo. É fundador da Academia Contagense de Letras - ACL e é também colaborador de vários sites e blogs da internet. Nessa obra, impressa em papel reciclado, o autor reúne poesias repletas de lirismo e sensibilidade. O livro tem o prefácio escrito pelo poeta e escritor Paulo Urban, de São Paulo, e ilustrações do artista plástico italiano Guido Boletti. Para a abertura da performance de Lecy, já estão confirmadas as presenças dos poetas: Diovvani Mendonça, Fernando Januário, Leonardo de Magalhães, Marlon Nunes, Vinícius Fernandes Cardoso e Yendis Asor Said. A sonorização e efeitos especiais estão por conta de Sechi e Barulhista, "velhos" conhecidos do público do Bar Armazém.

ÁRVORE DOS POEMAS O livro de Lecy abre as portas de mais uma etapa na vida do antológico poeta de Contagem, precurssor do projeto "Pão e Poesia", Diovvani Mendonça. Ele constituiu uma editora e, neste ano, estréia no mercado de livros. Durante o ano, Diovvani realizou vários projetos relacionados à poesia na Região Metropolitana de Belo Horizonte. E agora, organizou toda a diagramação, edição e ilustração do escritor Lecy Pereira.

Fonte: www.otempocontagem.com.br


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Projeto Pão e Poesia é aprovado por Lei de Incentivo

Os frutos da árvore
By Lecy Pereira Sousa
A notícia não poderia ser melhor ao final de 2008.A comissão avaliadora de projetos culturais no Estado de Minas Gerais acaba de aprovar o Projeto Pão e Poesia. Dessa forma, empresas que praticam renúncia fiscal e apreciam projetos voltados para a divulgação da Literatura podem incentivar o Pão e Poesia.
O valor aprovado é bastante expressivo para um projeto que tem menos de um ano de existência e recebeu importante apoio de veículos de mídia impressa e eletrônica, além do envolvimento de artistas do meio músical e literário.
Tudo começou com o poeta Diovvani Mendonça e um grupo de amigos como ele explicou exaustivamente em diversas entrevistas divulgadas na Internet.Para 2009 espera-se a continuidade do processo de expansão das embalagens de pão com arte e poesia que devem alcançar, com certeza, padarias de diversos estados do Brasil. É também objetivo de Diovvani Mendonça apoiar concursos literários para alunos de escolas públicas e privadas que apoiem o Projeto Pão e Poesia. Algumas ações iniciadas pelo músico e poeta podem ser conferidas no blog: www.paopoesia.blogspot.com
Essa é uma vitória da cultura, da livre expressão e da atitude em favor de uma poesia acessível a todas pessoas em qualquer esquina, em qualquer padaria!Confira a lista de projetos divulgada pelo site da Secretaria Estadual de Cultura no link:http://www.cultura.mg.gov.br/arquivos/FomentoeIncentivo/File/aprovados2008-16.12.08.pdf
Pão e Poesia para todos!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Gravação do e-maisessagora 000000


sábado, 13 de dezembro de 2008

Aos amigos deste blog



Muito agradeço aos visitantes deste simples blog.
Desejo uma infinidades de bons acontecimentos a todos.

Continuamos em 2009!


Lecy Pereira Sousa

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Kiko Klaus no Palácio das Artes


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Teorias de Guardanapo - 1ª Versão

" TEORIAS DE GUARDANAPO

ESSENCIALMENTE INÚTEIS"




I – Vou te sendo palavras

Ao vivo diante da morte



II – Eis o epitáfio do mundo inteiro:

"Aqui jazz todas as gerações

que viviam com o rei na barriga"



III – Hoje eu quero

Rimbaudar de poesia

Harodaugustar poemas concretos

Olavar bilacamente minha cara/

de pau

Então urubu será pomba da paz





IV – Poesia de verdade

Só uns gatos pingados fazem( MIAU!)

Eu sou uma hiena deslumbrada

Com tanta sinceridade.



V – Quando você chegar lá

Lembre-se que eu também sou gente

E mereço gozar no paraíso.



VI – Tamanhos são os absurdos

Mas seguimos todos mudos

Nas praças do submundo.



VII – Criticando a razão pura

Poesia de pobre é marginal

Poesia de rico é intelectual

Eu sou um animal

Admirando o céu da Pangéia.





VIII – Tudo é poesia

Sinta a imponência do T

A concavidade do U

A dádiva do D

A profundidade do O

Tudo é criação!





IX - Uns morrem de implosão

Outros vivem de explosão

Alguns mais de exploração

Dizendo que deus é grande

Eu sou um jumento

Vagando por Jerusalém

Ouvindo Ave Cezar em cada esquina.



X - Reivindico o direito

De ser cara ou coroa

E de não sê-las

Talvez um selo numa carta

Rumo ao extremo Norte.



XI - Se nada de relevante

Tenho a dizer

Passo a escrever

Sem a menor preocupação

De ser compreendido

Nas entrelinhas .



XII – Em meio a tanta inteligência

Nesse mar de gente sabida

Pseudosei um monte de coisa alguma.



XIII – PREDOMINA

TE MENTE

O HOMEM

SOMENTE



XIV – Vejo copos-de-leite

Florindo pelos campos

Vejo damas da noite

Perfumadas e de salto alto

Vejo a menina dos olhos

A pupila se olhando no espelho.







XV – Se houver amanhã

Eu quero que faças

Um favor a você

Deixe o bicho de estimação

O ensaio pitagórico

A arrogância de sempre

A puta que não te pariu

Seu professor de técnicas vocais

E vá ver o sol nascer

Teus olhos jamais verão

Idêntico espetáculo

Nem se houver amanhã.



XVI – Com toda sinceridade

Olhe bem no fundo

Desses meus olhos disfarçados

E responda sem pestanejar

Onde posso enfiar tamanha lucidez

Ante a embriaguez do mundo.



XVII – Em cada esquina

Há cadafalso

Mamãe faz café da manhã

Eu faço poema da noite

Em cada esquina

Há um assalto

Corre vamos fugir

Pelo asfalto que nos persegue

Alguém faz cem por hora.



XVIII – Os ossos partem

Para qualquer lugar

Seguem para o pó das estrelas

Partem para o Leste

Quebram na esquina Norte-Sul

Vão para um céu calcificado

Marcham cedo e esqueléticos

Partem estalando doidamente

Vão devagar e sofridos

Partem todos os ossos

Cai uma lágrima do olho da carne.



XIX – Certas mudanças

Vêm de avião

Outras nem saem do chão

Algumas morrem atrofiadas

Por falta de irrigação sanguínea.



XX – Dormirei agora

E ao acordar saberei

Que a mãe de todas as guerras faleceu

E o caixão segue cheio de flores

Restando aos órfãos desconsolados

Ouvir o canto alegre dos pássaros

E ver revoadas de pombas da paz.







APÊNDICE (QUASE ESTOURANDO):



Nesse mundo

reina o conceitual

de doce ou de sal.





Existir é vital

Inexistir é inevitável





Homem que sou

Minto e omito

Mal ou bendito

Mesmo assim

Tudo vira mito.





FIMINFINITOINFINITOINFINITOINFINITOINFINITOINFINITOINFINITOFI






[YOUR CONTENT GOES HERE]



quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pílula de Fósforo



Fiat Lux*





by Lecy Pereira Sousa





(Luz)(Luz)(Luz)


Fiat Lux!Fiat Lux!Fiat Lux!


Haja luz/Aja luz/Haja luz


Somos sombrasSombras somosCromossomos


Pomba da paz! Pomba da paz!Pomba da paz!


Fiat Lux!Fiat Lux!Fiat Lux!


Haja luz/Aja luz/Haja luz


(Luz)(Luz)(Luz)
----------------------------------------------------------------
*Estou surpreso e espantado com a repercussão que a performance desse poema vem conseguindo entre estudantes do Ensino Fundamental e Médio. São núcleos distintos. Não raro, algum jovem que não conheço dispara: Haja Luz! ao me reconhecer pelas ruas...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

OPA! no ARMAZEM - 19 dez - 20hs

 
OPA! no ARMAZEM
 
Os artistas da OPA! em evento litero-musical no
Bar cultural ARMAZEM no Centro de Contagem
 
O poeta Leonardo de Magalhaens e o músico Jackson Abacatu,
artistas da OPA! apresentando poesia e música alternativa
na sexta-feira, 19 de dezembro, vésperas de Natal.
 
 
Apesar de nada prometerem de natalino...
 
 
19 dezembro 2008 - 20hs
ARMAZEM
Rua Manoel de Matos, 110
Centro - Contagem/MG
 
Entrada: R$ 3,00 (3 reais)
Contato: (031) 30447901
 
Visitem o site da OPA!
http://www.opart.org.br/
e conheçam mais!
 
 
 

 

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Poema Laranja

A – l-a-r-a-n-j-a- m-e-c-â-n-i-c-a - d-o- m-u-n-d-o*

 

By Lecy Pereira Sousa

 

Olhando para a cara desse abismo

Será que dá pra ir mais fundo?

Todas as possibilidades não devem caber num I Pod

Dizem que ninguém pode passar do a-e-i-o-u

Dizem que as areias do deserto vão pra onde bem entendem

Sei que os poemas dos amigos viajam de metrô

Dizem que as pessoas têm problema mesmo de interpretar

Dizem que toda sabedoria reside em evacuar

Há um céu na rua França

Outro céu na rua Londres

Há uma feira na rua João César de Oliveira

Pessoas consomem novidades made in Hong Kong

VFC vive dizendo que essa é Contagemtown

Quem disse que aqui árvores são poupadas da sutileza da rosa dos ventos?

Não há uma sinfonia que possa ativar monstruosidades

YAS é veloz em sua máquina de palavras

FJ lastima todas as sinas

DM luta todo dia por uma popoesia

Em inglês GA pode ser God Again

Em Contagem GA pode ser Grande Anônimo

Sechi é a repercussão sonora do verbo secar

José Adão vê meninos olhos d´água no fogo de Deus

A massa vive consumindo sonhos na mistura do concreto desarmado

Enquanto Hollywood acaba de concluir um novo HIT

Segue-se comprimindo a laranja mecânica do mundo

Laranja mecânica do mundo

Laranja mecânica do mundo

m-e-c-â-n-i-ca

m-e-c-a.

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*Poema pouco inspirado no filme "Laranja Mecânica"  (1971)de Stanley Kubrick .

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O Circuito Mambembar

Grande pedida pelas bandas de Betim.
Lembrando que Barulhista e Sechi já sonorizaram o lançamento do livro Primeirapessoaplural no Palácio das Artes em Setembro/2008.

O Caderno de Saramago

A página infinita da Internet

By José Saramago

Acabamos de sair da conferência de imprensa de São Paulo, a colectiva, como dizem aqui.
Surpreende-me que vários jornalistas me tenham perguntado pela minha condição de blogueiro quando tínhamos atrás o anúncio de uma exposição estupenda, a que é organizada pela Fundação César Manrique no Instituto Tomie Ohtake, com os máximos representantes e patrocinadores, e com a apresentação de um novo livro à vista. Mas a muitos jornalistas interessava-lhes a minha decisão de escrever na "página infinita da Internet". Será que, aqui, melhor dito, nos assemelhamos todos? É isto o mais parecido com o poder dos cidadãos? Somos mais companheiros quando escrevemos na Internet? Não tenho respostas, apenas constato as perguntas. E gosto de estar escrevendo aqui agora. Não sei se é mais democrático, sei que me sinto igual ao jovem de cabelo alvoroçado e óculos de aro, que com os seus vinte e poucos anos, me questionava. Seguramente para um blog.

http://caderno.josesaramago.org/


OPA! e PÃO E POESIA : Parceria de sucesso


OFICINA DE PRODUÇÃO ARTÍSTICA OPA!

 

Prezados Diretores,

Prezados Associados,

Caros Artistas, Amigos e Literatos,

Saudações!

 

Anunciamos o sucesso da Parceria OPA! e PÃO E POESIA nos eventos

realizados nas SEMANAS DA DIVERSIDADE E TOLERÂNCIA na

Escola Municipal União Comunitária (EMUC) no bairro Cardoso (Barreiro),

no mês de novembro 2008.

 

Os saraus de 13/11 contaram com as presenças do Poeta e Performancer

Lecy Pereira Sousa (manhã) e do Poeta Diovani Mendonça e do poeta e

rapper Wanderson Novato (tarde), interagindo com os alunos dos 2º e 3º

ciclos, lançando novos olhares sobre o óbvio e alfinetando as consciências

alienadas. E principalmente apresentando aos alunos a diversidade da

expressão poética.

 

Os saraus de 28/11 contaram com as presenças do Poeta Lecy (manhã) e

o músico Jackson Abacatu (tarde), com as intervenções poéticas da Professora

Vera, conquistando a (dispersa) atenção dos alunos. Além da premiação

(um livro) para os alunos leitores exemplares.

 

Agradecemos igualmente o empréstimo dos poemas do PÃO E POESIA,

para a Exposição realizada na EMUC, na ocasião da Feira Cultural, no

sábado 22/11. Exposição esta muito elogiada por sua pluralidade.

 

Agradecemos a todos que nos apoiaram, e todos que acreditam na arte.

 

Cordialmente,

 

Leonardo Magalhães

Secretário OPA!

Produtor Cultural


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Agenda do Armazém

AGENDA DO ARMAZÉM
DEZEMBRO-2008/JANEIRO-2009


06/12/08 - IV FESTA A FANTASIA ( BANDA ESCALIBLUES E DJ) OPEN BAR (CUBA CAIP-CITRUS)

11/12/08 JOAQUIM PALMEIRA ( POETA) curador das terças poéticas do palacio das artes.

13/12/08 - Barulhista & Convidados ( som experimental ) jazz, eletronico com intervençoes de percurssao e videos.

19/12/08 – Leonardo de Magalhaes e Jackson Abacatu "poesia e performace"

20/12/08 – Lecy Pereira Sousa – escritor (lançamento do livro "PRIMEIRAPESSOAPLURAL") -Talk Show,Poesia e Performance - Poeta participante do Pão e Poesia

26/12/08 - ANGELO SCARPELLI "NEGAO" & CONVIDADOS "samba raiz, samba rock, samba soul."
27/12/08 (Sábado) – Fernando Januário - artista plastico

10/01/09 SAMBA A DOIS (ANGELO SCARPELLI "NEGAO" & LETICIA) "samba raiz, samba rock, samba soul."
16/01/09 - claudio carvalho- mpb

17/01/09 – Diovvani Mendonça (poeta) criador da "Arvore dos poemas" e do "pao e poesia"

23/01/09 - SAMBA A DOIS (ANGELO SCARPELLI "NEGAO" & LETICIA) "samba raiz, samba rock, samba soul."

24/01/09 - Barulhista ( som experimental ) jazz e experimentos eletronico com intervençoes de percurssao e videos
29/01/09 - Wanderson Novato - poesia marginal

30/01/09 - SAMBA A DOIS (ANGELO SCARPELLI "NEGAO" & LETICIA) "samba raiz, samba rock, samba soul."
31/01/09 (sábado) – Paulinho Andrade e Cynthia Terra.

Rodrigo M. Guerra (31)9611-5734 / 3044-7901
rodrigo_mendes_guerra@yahoo.com.br
GIF animations generator gifup.com
GIF animations generator gifup.com
Endereço: Rua Manoel de Matos, 110 - Centro, Contagem - MG.
Saiba como chegar clicando direto sobre este link do Google Maps

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Colunistas Parnanet PRESS RELEASING - Gosto de Ler - 1 Milhão de Matérias Lidas!

 

  ::::::::: parnanet.com.br :::::::::

 

 :: Gosto de Ler - 1 Milhão de Matérias Lidas!

 :: O web site Gosto de Ler completou 01 Milhão de Matérias Lidas em novembro-2008. É um site novo, com menos de 2 anos, projetado e desenvolvido na cidade de Parnamirim – RN, e hoje um grande sucesso nacional no mundo da Literatura, chegando a ultrapassar 4.500 matérias lidas num único dia!

O Gosto de Ler se diferencia dos demais sites de literatura por oferecer, além de crônicas e poesias, 22 diferentes temas, que vão desde animais, meio ambiente, esportes, política, jovens, terceira idade, religião, sexo, etc. O site não representa um espaço livre em estilo blog, mas preza por um conteúdo mais jornalístico, profissional, mesmo que em essência esteja aberto a qualquer pessoa que queria tornar-se um colunista (em geral, novos escritores e estudantes de jornalismo, como também nomes já conhecidos, escritores com livros publicados, e também anônimos, amantes da leitura e da escrita).

O Gosto de Ler também oferece aos leitores a oportunidade de interagirem com as matérias e seus colunistas, de forma a enviar-lhes emails, ou adicionar comentários nos artigos publicados. Esses comentários são sempre respondidos pelos colunistas, e tudo isso fica registrado on-line, para que outros leitores também acompanhem e expressem sua opinião. Algumas matérias, às vezes polêmicas, geram verdadeiros debates entre colunistas e seus leitores.

Além dos artigos publicados, o site oferece também uma biblioteca, com centenas de livros gratuitos para download, que vão desde obras consagradas de domínio público como livros inéditos, escritos por autores ainda anônimos, além de apostilas, peças teatrais, monografias, etc.

O Gosto de Ler encontra-se bem colocado no ranking mundial de sites, segundo a empresa de estatísticas Alexa. Em Março irá completar dois anos, comemorado num encontro de colunistas, escritores e jornalistas, que irão conhecer em primeira mão o novo design e novos recursos que vão turbinar o site, consolidando seu sucesso.

Mais informações, entre em contato com parnanet@parnanet.com.br ou (84) 9969-6707.

Atenciosamente,
Wallace Moura.
Construção e Hospedagem de Sites
clique aqui
 
Rua Brig. Pessoa Ramos 58, Cohabinal.
Parnamirim / RN   Cep 59140-730
Tel: (84) 3645-2401 / cel. (84) 9969-6707
 
Empresa Graduada no Núcleo de Incubação Tecnológica do Rio Grande do Norte
www.nit.br  CEFET-RN

_________________________________
www.parnanet.com.br  - colunistas

Visite a coluna de Lecy Pereira em Gosto de Ler clicando aqui

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Intervenção em Sete Lagoas!!!


Sem dúvida, o pessoal do Tático Cultural em Sete Lagoas-MG vem botando fogo na Cultural, no melhor sentido! Parabéns ao grupo capitaneado pelo artista Demétrius!

Lançamento de livro no Centro Cultural de Contagem

Então, é hoje - 21 de novembro - o coquetel de lançamento do livro do poeta José Adão.
Muito se tem falado sobre a ausência de demanda para a poesia em Contagem ou em qualquer outra cidade de Minas.
Em clima de fim de ano pouquíssimas pessoas falam em presentear outras com livros. De poemas, nem pensar...
Penso que chegamos a um ponto em que publicar alguma coisa chega a ser um ato de resistência. Antes, guardar os escritos na gaveta era uma atitude heróica, romântica. Hoje resistir é publicar, publicar em qualquer suporte com ou sem o aval da maximídia ou dos possíveis amigos que você tenha na Imprensa para publicar uma notinha acerca daquilo que você escreveu.
Numa cidade como Contagem, a publicação de livros deveria fazer parte da agenda cultural mensal ao longo de um ano. Mas há aquele fantasma da falta de tradição e demanda. Daí publicar é um ato de heroismo.
Viva José Adão, o nosso herói de hoje.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Armações no Armazém





terça-feira, 18 de novembro de 2008

Flashback

Suplemento Literário
DÚVIDAS MAIS FREQUENTES FALE CONOSCO
Notícias
15/09/2008
Lecy Pereira Sousa, Leonardo de Magalhaens e Rodrigo Starling apresentam performance "Los Três Amigos" no próximo Terças Poéticas

O Terças Poéticas, a ser realizado no dia 16 de setembro, será diferente. Em vez de receber um poeta e homenagear outro, a próxima edição do projeto de leitura, vivência e memória da poesia vira palco para Lecy Pereira Souza, Leonardo de Magalhaens e Rodrigo Starling apresentarem a performance "Los Três Amigos". O encontro acontece a partir das 18h30, nos Jardins Internos do Palácio das Artes, com entrada franca. O Terças Poéticas é uma realização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, através de parceria entre Suplemento Literário e Fundação Clóvis Salgado, com apoios culturais da Rádio Inconfidência e Rede Minas de Televisão.
Rodrigo StarlingRodrigo Starling vive em Belo Horizonte, é filósofo, poeta, e gestor de organizações não governamentais. Foi o fundador e tual presidente da OPA! Oficina de Produção Artística. Publicou quatro folhetins: ‘Paz: O começo' (2002), ‘Alea Jacta Est' (20030 , ‘Breviários do Cárcere' (2004) e ‘Confessório Ardente' (2006). Seus trabalhos são inspirados pelas paixões, entendidas como afetações da alma.

Leonardo de MagalhaensLeonardo de Magalhaens vive em Betim. É poeta, crítico de arte e política e desenvolve uma linguagem em trânsito e desassossego. Mantém o blog http://leonardomagalhaens.zip.net/, espaço de discussão sobre política, filosofia, literatura e poesia. Como performer, já se apresentou em Belo Horizonte, Contagem e Betim, em espaços alternativos. Dedica-se a escrita de ensaios sobre a poesia e a literatura que se produz em Belo Horizonte.

Lecy Pereira Sousa, performer e escritor, vive em Contagem. Têm apresentado suas performances em Belo Horizonte, Contagem e Betim, quase sempre ao lado de Leonardo de Magalhaens e Rodrigo Starling. Participou do projeto Stereoteca, recitando seus poemas. Estréia agora com o livro PRIMEIRAPESSOAPLURAL, publicado pela editora Árvore dos Poemas, que será lançado nesta edição do projeto Terças Poéticas.

Relançamento do livro "Primeirapessoaplural" em Contagem



"Hóspedes, hospedeiros somos, informes, disformes..."
Lecy Pereira Sousa

domingo, 16 de novembro de 2008

Quem tem ouvidos que ouça!

Connect Book - A Plugme apóia essa idéia

A Nokia começou a votação para eleger com qual ação a empresa presenteará a cidade de São Paulo. O voto da Plugme é para o Connect Book. Com ele, grandes clássicos da literatura e best sellers da atualidade estarão disponíveis de graça em formato áudio para downloads pela internet ou na própria Nokia Store. Você baixa para o seu celular e escuta na hora que preferir: no trânsito, caminhando pela rua, no metrô, na sala de espera ou onde mais você quiser.
Apesar da ação ser somente para a cidade de São Paulo, pessoas de outros estados também terão acesso ao Connect Book pela internet. Então, se você quer ouvir livros gratuitamente, mãos à obra. Vote no Connect Book.
Até os livros querem o Connect Book. Veja.



Calidoscópio de Imagens Multiplicadas - poema de Luís Eustáquio Soares





LUÍS EUSTÁQUIO SOARES
 

"depois - como terá falado conforme o absoluto - que nega

a imortalidade, o absoluto existirá fora - lua, acima do tempo:

e ele erguerá as cortinas em frente. Igitur, ainda criança,

lê seu dever a seus ancestrais." (Mallarmé, Igitur ou a

Loucura de Elbehnon

)
 
 
CALIDOSCÓPIO DE IMAGENS MULTIPLICADAS
 
narciso morto em morte de caneta tinteiro no branco espaldar das espadas arquejantes dos dígitos gráficos ortográficos heterografam digitais imagens acústicas nos reflexos refletidos das duplicatas duplicações reflexas em flechas sobre um vertical fundo impossível de possibilidades de rios correntes em garças espelhadas em especulares tautologias sobre o fedro socrático em face a face a escrita não mata o pai, nem mesmo o padrasto ou ao menos a madrasta mas regurgita as imagens aladas de letras onduladas onde geografias cartografadas em safadas fadas de reflexibilidades miram a si nas fotos fotons de elétrons que giram em torno gravitando gravidez de signos em virtuais virtus não virgens impressos pelos dedos obscuros das posses de palavras de posse das alfabetizadas maneiras de cartear sinais de códigos herméticos nas inclusões dos espelhos as mesmas imagens não velam o outro, outono do fora ou do dentro ou do desfora em desforra de textos sem anafóricos, potens de verão nos suportes fragmentados de espelhos quebrados de retratos retro-avançados no dentro de sóis assassinando Narciso em seu ciso isso de isso: só: alardeiam letras fonemas de fonadas impossibilidades incompassíveis com o caleidoscópio de imagens multiplicadas em coloridas semelhanças de gramas pesadas das gramáticas narcísicas de narcotrópicos de tropos dos que imprimem grampos nos cabelos amarelos das brancas páginas assépticas dos céticos credenciados para os créditos das letras de sobrenomes de famílias aristográficas, mas a cidade tem idades para aquém/além de si, idades dos seres de víveres vísceres viveres, edipando andando sem inchados - flanando - pés, que ainda desutopicamente comerão - eles elas sem celas, anagramas de riscos - sem ricos - a mãe, e matarão/ressuscitarão narciso: macarrões de alegrias, letras garatujas: intrusas, com, também, corujas, coitadinhas.
 
In: COR VADIA /2002
 



sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Aquiagora


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Para Alguém

terça-feira, 11 de novembro de 2008

De Fernando Januário : Para Alguém

Para além do senhor Mercado, alguns autores se publicam onde, quando e como podem.

Tenho visto experiências inusitadas como poetas que publicam seus poemas dentro de caixinhas de fósforos e... conseguem comercializar a edição. Seria uma espécie de publicação conceitual, alternativa, margina ou sei lá que outras denominações alguém queira fazer. Há outros que cogitam acerca de publicarem em folhas ressecadas de vegetais.

Seguindo por essa espécie de caminho, Fernando Januário, artista da vida contagense - como ele mesmo se intitula - www.fernandojanuario.blogspot.com - acaba de publicar - novembro de 2008 - seu primeiro livro-conceitual. Consideremos que há carros conceituais, aqueles que nunca são fabricados para não prejudicar os xeiques do petróleo, roupas conceituais, aquelas que são pouco ou nada funcionais nas ruas, além de mesas, cadeiras, camas, relógios e objetos que tais. O livro conceitual seria aquele que o autor publica tal e qual concebe estando ou não o suporte utilizado na cadeia produtiva do mercado.

Para alguém é um trabalho artesanal em tiragem limitada que reúne alguns poemas considerados pelo autor os mais representativos da sua atual fase. Vale lembra que Fernando Januário particips do Projeto Pão e Poesia, eventos culturais e reproduz telas a óleo com temas bucólicos. A quantidade de telas comercializadas pelo artista já ultrapassa a casa da centena, mesmo assim ele jamais realizou uma exposição em Contagem.

Internauta e leitores interessados em adquirir o livro artesanal de poema "Para alguém" (valor R$5,00) podem enviar e-mail para: fernandobracher@hotmail.com

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Convite


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Meninos olhos d´água fogo de Deus


Quem publica seu primeiro livro de poemas em novembro é o contagense José Adão Rodrigues Abadia.
Meninos olhos d'água fogo de Deus é para José Adão a dramatização de um sonho acalentado há um bom tempo. O livro, como bem ressalta o título, nos traz referências do cotidiano, da existência operária cheia de fé e sonhos, reflexos de uma vivência na Contagem industrializada. Sem dúvida, a estrada a trilhar é longa, mas José Adão tem disposição.
O livro, editado pela Littera Maciel de Contagem tem prefácio de Lecy Pereira Sousa (autor de Primeirapessoaplural) que não é crítico literário, mas atendeu a uma insistente solicitação do poeta em foco.
--------------------------------------
Serviço:
Lançamento do livro Meninos olhos d'água fogo de Deus (preço a definir)
Local: Galeria do Centro Cultural de Contagem
Rua Dr.Cassiano, 130, centro. Contagem - 3352-5347
Data: 21 de novembro, sexta feira, a partir das 20:00 Horas.
Na pauta: coquetel, data-folha, músicas clássicas ao vivo, declamações e a famosa noite de autógrafos.Entrada Franca.




terça-feira, 4 de novembro de 2008

ilustração


terça-feira, 21 de outubro de 2008

sobre PRIMEIRAPESSOAPLURAL obra de Lecy Pereira Sousa



From: Leonardo de Magalhaens <leonardo_de_magalhaens@yahoo.com.br>
Date: 2008/10/21
Subject: sobre PRIMEIRAPESSOAPLURAL obra de Lecy Pereira Sousa


Sobre a obra PRIMEIRAPESSOAPLURAL
do Poeta Lecy Pereira Sousa
 
Poemaremos por falta de opção
 
   Sabemos que o mito da 'oportunidade iguais para todos' se revela um mito
tão fabulístico quanto a 'liberdade de mercado'. Percebemos que 'o mercado
sem Estado' é mera 'ideologia neoliberal', e que se a 'vida é uma corrida',
alguns saem 50 metros a frente de outros tantos.
 
   Sendo assim qualquer pregação de coerência revela-se ideológica e metafísica -
não há redenção no 'deserto do real'. Só há uma existência do 'sou o que tenho' e
uma pseudo-existência virtual - 'sou o que a mídia(os outros) diz(em)'.
 
   Sem opção, sem oportunidades, resta a ironia, o poemaremos por teimosia,
por cinismo, por insubordinação e 'desobediência civil'. Assim, o Poeta
Lecy Pereira Sousa não busca um 'sistema poético', não vem pregar mais nada,
apenas distribuir fragmentos em rascunhos em guardanapos, num 'mix' de
influências, num mosaico de colagens, juntando logomarcas e citações, numa
série de imagens cubistas, quadrilhas futuristas e 'haicais' irônicos.
 
   A poesia de PRIMEIRAPESSOAPLURAL é demasiadamente pessoal sendo obscenamente coletiva, numa bacanal de linguagens, numa orgia de corpos-objetos,
sem deixar de denunciar e de verter amargura.
 
   Afinal, o poeta sofre com a falta de opção. "Diluir a melancolia / Na rústica
face do dia / Somos seres fragmentados / Numa solidão coletiva" (Ingrediente
do mix - 1) e também "Não fazemos poesia / A poesia é quem nos faz / Meio tortos,
meio retos / Meio iniciantes, enfim" (Sobre o criado-mudo)
 
    O Mundo é construído de fragmentos, "construir um fabulário / De pedaços /
De nossas vidas", de pedaços desconexos, sem sentido, para os quais buscamos
(ansiosos e desesperados) um sentido numa ordem coerente,
 
"Querer que tudo faça sentido
É de uma chatice sem fim
Experimente poemas menos quadrados
Beba um pouco de tinta nanquim
Para cuspir flores no deserto da realidade"
(ingrediente de mix - 5)
 
    O mundo está aí para ser sentido. Como dizia Alberto Caeiro, como dizia
Clarice Lispector. "Para sentir o mundo / Há que assuntar as coisas / Com
precisão dos olhos de lince / E procurar ao redor do mundo / Sentido que está
atrás do Sentido" (p.23), numa espécie de 'prólogo' para o Manifesto da p. 31,
 
"Sem artificialismos, assim,
respiramos no casulo da vida.
Vibramos por poéticas
universais feitas nos quintais
de nossas casas imaginárias.
Por linguagens que só
os corações sabem entender."
 
   Desse 'sentimento do mundo' nasce a rebeldia poética. Quando o Poeta enfim
desabafa, como vemos em "Discurso transitório" (p. 27), "Senhoras e senhores /
Tenhamos a hombridade / De viver dentro da verdade. (...) Porque essa é a nossa
luta: / um rasgo de dignidade / Na face da canalhice. (...)"
 
   Dialogando e discursando em hibridismos e metáforas, a poesia é a forma-mor
de comunicação não alma a alma, mas paixão a paixão. Afinal, uma poesia que
não emociona, não merece atenção. Quando aqui o poeta Lecy expõe-se desnudo
de boas-maneiras politicamente corretas quando não só pretende chocar, mas tornar
o leitor um cúmplice, ele torna a sua voz-pessoal em discurso-coletivo, daí nascer
o 'nós', a primeira pessoa do plural.
 
   Lecy não diz "eu vou poemar sem fim", mas "poemaremos sem fim", pois a sua
voz é coletiva - e coletiviza - assim sub-entendida (ele não precisa de "NÓS
poemaremos", etc), mas está atento ao que se espera dele, enquanto Poeta, no
sentido de 'voz coletiva' (a voz que brada no 'deserto do real', igualzinho ao João
Batista às margens do Jordão. Porém, uma diferença, que Profeta, que Messias,
Lecy estará aqui pre-anunciando??)
 
"Poemaremos por falta de opção
Rijos tensos intumescidos
Retesadamente lascivos
Ao cair da noite & ao levantar do sol
Duros de coração
Monossilábicos átonos atônitos
(...) "
 
   E continua assim por mais 6 páginas (!!), num fôlego caótico e cubista, sem
pausas, sem meias-palavras, sem considerações com terceiros, sem loas aos ídolos,
sem piedade para com as autoridades (civis, militares e religiosas!), como um
beatnik
sem eira nem beira, sozinho no meio da multidão (assim como Baudelaire
em andanças nas ruelas de Paris, no meio das multidões dos boulevards, e morrendo
de tédio!), despejando um desespero lírico e convulsivo de sílabas de rimas
esdrúxulas de palavras-valises de neologismos de citações e barbarismos, e
rótulos de mercadorias e ícones do consumismo.
 
   Mas por que todo este mal-estar na modernidade? Ora, vamos ler Freud,
ler Sartre! Por enquanto sem explicar, mas se deixando levar! Somente por
indignação e insatisfação!
 
   Desobedientes, insubmissos, subversivos, em pleno "ano que ainda não terminou" (1968??), como esbraveja o poema "Diversos demais" (p. 35)
 
"Insatisfeitos com a norma
Insatisfeitos com a forma
Arredios à métrica
Desafeitos ao decassílabo
Nós somos uns subversivos"
 
   Que a aura beatnik subversiva - e multipluricolorida - do Poeta Lecy Pereira
Sousa continue a nos emocionar, ousando cores no mundo cinzento, além de flores versoviçosas no asfalto cotidiano.
 
Carlos Prates, 17out e
Barreiro, 21out08
 
Por
Leonardo de Magalhaens
 

sábado, 18 de outubro de 2008

Cortesia Vivali - Nona Lua

















OBS.: O livro de mini-contos "A Coleção dos Sentidos" de Lecy Pereira Sousa encontra-se disponível para leitura no software Virboo, exlusivo da Vivali Editora -




sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Fórum 2008 é lançado para a imprensa em Belo Horizonte



Olá Lecy Sousa,

A entrevista coletiva de anúncio da quarta edição do Fórum das Letras de Ouro Preto 2008, que vai acontecer entre os dias 5 e 9 de novembro, reuniu ontem, 15 de outubro, no FIEMG Trade Center, jornalistas de todas as mídias, representando veículos de comunicação de BH e da antiga Vila Rica. Marcaram presença o prefeito de Ouro Preto Angelo Oswaldo, a coordenadora geral do Fórum, a escritora Guiomar de Grammont, e o escritor Luiz Giffoni, que representou os autores participantes.

A coordenadora geral, Guiomar de Grammont, disse que o tema central do evento "Mistério na Literatura" foi determinado, quando foi possível vislumbrar o elenco de autores internacionais. "Compreendo este tema como um enigma do ser, como toda forma de expressão que se origina da arte, todo texto que propõe despertar a curiosidade no leitor". Segundo ela, o Fórum não se trata de um evento com a intenção de formação de público leitor em apenas cinco dias. "É um trabalho contínuo, que depende da mídia e da agregação de parceiros, fazendo com que pessoas de interesses comuns se reúnam numa mesma paixão", destacou.
A diretora do IFAC – Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da UFOP também falou sobre o seu envolvimento pessoal com o fórum, a criação da temática principal do evento e o critério de seleção dos autores, deixando claro sua paixão pelas letras. "O meu envolvimento não é somente curatorial, é genético. É muito gratificante, porque é um evento onde criamos um conceito geral, montado a partir de gêneros literários, o que me permite ir ao acordo dos meus ideais. Na maioria das vezes o meu critério de escolha dos autores é percebendo cada um deles, através da parceria de editoras, lendo e me impressionando pela qualidade de muitos livros ainda fora do circuito".
O prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, destacou a "vocação cultural da cidade, que vê o Fórum das Letras culminar como o grande encontro literário de Minas Gerais, ao lado de grandes acontecimentos artísticos, cênicos e musicais, como o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana", também realizado pela UFOP.
Luiz Giffoni salientou a importância do evento, considerando-o um dos maiores encontros do gênero em Minas Gerais, "É uma grande alegria estar de volta ao Fórum das Letras, já que tive a oportunidade de participar da primeira edição, em 2005, sendo interessante observar que este ano foi expandida tanto a temática do Fórum quanto o número de autores presentes".
Guiomar ressaltou ainda o critério para a composição das mesas de debate no Fórum. Buscamos reunir numa mesma mesa autores consagrados com os da nova geração. "Muitas das vezes é um bom marketing que define um bom autor. Eu vou na contra-mão disso. Contra este sistema que muitas das vezes deixa esquecido grandes autores. Nosso objetivo é revelar obras para o público e permitir a divulgação das obras de novos autores", finaliza.

Para mais informações sobre o evento, acesse o site http://www.forumdasletras.ufop.br/.



sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Infinitivos (conto experimental)




Você me amar, perguntar.


Até o limite do assombro, responder.


Desaparecer, algo inimaginável. Ele, ela, eles, elas, nós, vós.

Há uma cidade correndo inteira por cabos telefônicos em postes. Correm as vozes num fluxo verbal congestionante.


Esperar que ela me entendesse quando atendesse a chamada. Ontem foi difícil, talvez não menos que agora. Aquelas fotografias congelaram um beijo que recebi numa festa tecno, dizer numa "rave". Esse é o terrível terreno da subjetividade. Suposições. Que último romance Dulcinéia ler? Que último filme assistir? Há de ser a adaptação de "Ensaio sobre a cegueira" por Walter Sales Jr. ou "Meu nome não é Johny". Que música ouvir ou quadro a reparar: cena rural, soberbia urbana, abstrações, viagens oníricas? Há na rua da selva, onde os homens não têm nome, mas números, um leopardo a nos espreitar com seu olhar agridoce numa busca elegante, imponente, por presas que afiem mais suas presas que dariam curiosos souvenires pendurados no pescoço da modelo desfilando a moda praia na passarela anoréxica.


Amar sob o filtro das luzes desse teatro de arena. Que entrem os leões! Espere, há um erro de texto. Que entrem as ninfas! Ele vive num rio de incertezas urbanas a questão em sua mente é por que alguém procura alguém para ser senhor ou senhora. A perpétua cumplicidade de um cão e seu dono feito um par de olhos cegados sendo guiado por outro par de olhos sãos. Ele tem dúvidas de amor na sórdida mitologia contemporânea. A estranha necessidade da certeza.


Se ela não amar, desaparecer.


Culpar eles que mais sabem impedir a consumação de um amor. Eles que povoam a noite de assombro. Eles que não suportam ver amar ao sabor das ondas calmas. Eles da turma dos filhos de Caim, esses que vivem a vagar sem um riso no rosto e não suportam o triunfo das belas artes.


Você me amar, ela perguntar.


Iludir, indefinir, ele responder, amar o fluir, o amanhecer. Só a essência permanecer, entender?

Será que algum dia eu caber em sua beleza, ela perguntar.


Você caber em meu fazer, ele responder.


Tudo afirmar. Medo de ver o tempo correr. Cada dia ela passar ao som do reggae, do samba, da bossa nova.


Quem eu amar, muito querer me fazer sofrer, ferir, ignorar, humilhar, ele dizer. Parecer que amar se sustentar de antônimos.


A gente se encontrar numa danceteria, ela falar, muito dançar, muito girar, globo, câmera lenta. Nossa história de desenredo começar. Beijar, beijar, lembrar disso?


Isso. Hoje só lembrar, fotos, filmes, objetos, uma lua logo ali, o sol ao sabor do ventar do nosso amor de férias.


Você me amar de verdade, ela perguntar.


Sim, sim, sim, te amar, até aprender a deixar de ser, ele responder.



Lecy Pereira Sousa

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Rodolfo Zíper e seus planos para o mundo


Algum dia você já imaginou uma pessoa doida, mas que parece certinha? Pois bem, Rodolfo não é uma coisa nem outra. Trata-se de uma combinação meio estranha dos estados do ser. Seu apelido se deve ao hábito que ele tem de não usar cuca e, num belo dia, o zíper da calça que usava prendeu a ponta do seu prepúcio. Foi uma experiência hilária e, certamente, dolorosa.



O fato de Rodolfo ser alvo da malhação alheia levou-o a arquitetar um delicioso plano de vingança. A grande idéia surgiu enquanto bebericava um chope num boteco. Ele apelou e se cansou da pindaíba pela qual vinha passando. Resolveu, como dizem por aí: “chutar o balde”. Destilaria suas mágoas nas pessoas. O pobrezinho já não agüentava o deboche dos outros por causa do seu bigode estilo escovinha (realmente horrível) e do seu cabelo no melhor penteado “boi lambeu”. Todos gargalhavam. Rodolfo reagiu a tudo com fúria mortal.


Apoderou-se de uma caneta e de um bloco de papel e decidiu aprontar uma reviravolta incomparável. O mundo estaria em suas mãos. O poder seria seu. Que coisa maravilhosa! Nada poderia impedi-lo.



Ele começou escrevendo:



“Eu sou o único poder. Todos elementos se curvam diante de mim. Portanto, todas as coisas são como eu quero. Então, determino: agora o mundo é uma bola de sabão feita pelo meu canudinho e todos estão com o coração na mão temendo que ela se arrebente. Que prazer isso me dá!”
Cansei-me dessa brincadeira. Agora o mundo é uma pizza de presunto tamanho família. Mas eu detesto presunto e vou jogar tudo para meu cão pastor alemão que está faminto há dias. É muito bom ver a aflição das pessoas diante disso.




Agora todos os homens são meus soldadinhos de chumbo e todos eles me saúdam em posição de sentido, dizendo: Dá-lhe, Zíper! Dá-lhe, Zíper! Quando amanhece, religiosamente, eles fazem trezentas flexões de braços em minha reverência. Que beleza! Todas mulheres possuem uma foto minha, com pose de estadista, presa à porta do guarda-roupas, provando que eu sou irresistível e unânime. Realmente, é chato ser tão gostoso.



Declaro que a Terra é o centro do universo e se alguém abrir a boca para discordar eu pego, prendo e arrebento. Alguém se habilita? Considerando que eu sou uma pessoa extremamente sensível, só terão direito à vida aquelas pessoas que copiarem meu look, usarem a mesma marca de xampu, perfume e sabonete que eu. Aqueles que resistirem, serão enviados à câmara de gás ou receberão uma inofensiva injeção de gasolina.



O único filme a receber todos os prêmios da Academia, inclusive o de melhor dos melhores chama-se “Rodolfo Zíper, uma lição de vida”, e serão rodadas cerca de dez continuações. Em cada residência haverá um quadro pintado por mim. Todos Van Gogh, Picasso, Rembrandt e Dali vão se transformar em cinzas, na minha lareira, naquelas longas noites de Inverno.



Eu sou motivo de todas honrarias possíveis. Os selos têm a minha cara, há bustos meus em praças públicas. Fui eleito homem do ano outra vez consecutiva, moedas e notas levam a minha efígie, há um serviço telefônico com mensagens minhas. Devo lembrar que a melhor banda de rock de todos os tempos fui eu quem criou e as modelos mais bem pagas posam para fotógrafos da minha revista masculina. Quando eu vou ao zoológico, as cobras serpeiam de alegria e, unidas, formam no chão o nome RODOLFO. Os papagaios desandam: “Dá-lhe, Zíper! Dá-lhe, Zíper! Cada macaco usa uma camiseta promocional com os dizeres: “Rodolfo é o maior”. É emocionante ver tanta devoção para comigo. Até as nuvens formam caricaturas minhas no céu.



Agora, o maior best seller é nada mais, nada menos do que a minha autobiografia. A comunidade literária está de queixo caído. Todos os anos jovens fazem gincanas culturais com curiosidades sobre minha vida. A editora que, por acaso, é minha, prepara a milésima edição do meu consagrado trabalho. O mundo passou a ser um espote de luz lançado sobre mim e ilumina meu desempenho como ator de uma grande comédia. Eu seguro um globo na mão e ameaço espetar países de todos os continentes, enquanto o público chega a chorar de tanto rir. Minhas ações revelam graciosidade. Sou a excelência.



O globo terrestre passou a ser o meu quintal e, de certa forma, isso é entediante. Quem sabe o universo é uma brincadeira ainda mais divertida? Os planetas podem ser bolinhas de gude e minha vontade é jogar todas elas no buraco negro.



Agora, ninguém me menospreza nem me chama de cara de fuinha quando caminho pelas ruas do bairro onde moro, porque sou, inconcebivelmente, superior a todos”.



Com uma caneta e fértil imaginação, Rodolfo pode tudo, criando situações para satisfazer seu ego ou escarnecer os exageros e as aberrações do mundo. Mas o que ele deseja, realmente, é comer-beber-dormir-ir ao banheiro-amar-pensar sem correntes presas ao cérebro. Ligar uma televisão sem ter que ouvir que algum fariseu armou uma bomba e mandou inocentes pelos ares. Rodolfo é incapaz de fazer mal a um leão faminto, desde que não critiquem seu penteado e seu bigodinho (horrível).



Mal Rodolfo Zíper concluiu seu manifesto que lhe outorgava poderes supremos, um garoto que passou do outro lado da rua, vendo aquela figura sentada na varanda da casa, não resistiu e gritou:



-E aí, boi-lambeu, segura a onda aí!




Lecy Pereira Sousa
__________________________
Obs.: A ilustração utilizada neste conto está no site www.michaelgillette.com

Érika Machado no Stereoteca

Shows da cantora mineira Érika Machado

Érika Machado também participa do Projeto Pão e Poesia e esteve no 1º Viva Poesia Poesia Viva de Contagem que pode ser conferido clicando aqui









Olhares (conto)


From: Leonardo de Magalhaens <leonardo_de_magalhaens@yahoo.com.br>
Date: 07/10/2008 18:33
Subject: Olhares (conto)

um conto de outrora...

 

OLHARES

 

  Estranho é andar pelas ruas, numa manhã isenta de sol, furando as ondas do tráfego, e sentir, queimando, os olhares acusadores dos passantes. Suas faces transformadas, tal em convulsões, de bílis vertida nas estranhas, e um rasgo de deboche nos lábios, um não-pode-você-fazer-que-vai-nos incomodar toda vez que insistimos em seguir junto as vitrines, e ao fim, nos desviamos, antes de derrubarmos, por terra e cimento,  a senhora com suas inevitáveis duas sacolas prenhes de mercadorias, e ela ainda insatisfeita.

 

    É assim: todos me acusam. Estou sujo, um traço de dentifrício marca em cicatriz o subúrbio de meus lábios, ou meu cabelo se enroscou serpentino ao vento de fuligens.

 

    É assim: de súbito, um olhar me enternece. Uma garota de meu interesse, que penso já ter visto antes, talvez num dos agitares do mercado, alguém enfim que percebo admirar.

 

    Aproximei-me, puxei assunto. Ela, meio assim desconfiada, mas ainda certa atenção. Percebo meus passos, enquanto sigo ao lado daquela de olhos tão abraçantes. Aí ela entra na igreja.

 

    Olhei o altar, ali uns poucos fiéis, e aquele cheiro de incenso me nauseava. Ela se encaminhou aos últimos bancos, deixando meia igreja de bancos vazios entre ela e os devotos. As devotas.

 

    O que fiz? Sentei-me o lado dela, meio deslocado. Levantei-me e, assim inclinando, cochichei ao seu ouvido: "Querida, você não quer que conversemos na igreja, quer?" ela se levantando, assim meio contrariada, mas sem outras hostilidades, olhando assim com aquela timidez, mas parecia querer se entregar - ali contida ainda por alguma desconfiança. Algum meditar a retinha.

 

    Penso, logo desisto. (Citação, meu velho.)

 

    Ela foi seguindo à  minha frente. De súbito, parou.

 

    É que ela, voltando-se para mim, verteu olhares perplexos. (enfrentei muitos olhares, mas aquele era.) Possuída pelo olhar, ela exclamou irada: "Bem que minha mãe me alertou!" Deu-me as costas, seguindo para a porta. Tentei sair no seu encalço, fui barrado por uma voz autoritária: - "Parado aí, amigo."

 

   Amigo? Dois policiais ali estão. Braços cruzados à altura do peito, na representação correta de autoridades, donas de meu ir-e-vir. Mas eis a porta e vou abri-la assim mesmo. O ar da igreja me sufoca. Abri mesmo. Alguém ainda diz, à milhas: -"Eles vieram é pra te prender."

 

    Como já disse, abro a porta. Na calçada os vultos, quase humanos, de mais dois policiais. Fardas furando na retina a profunda calma. É um suor o que me afoga a nuca, e singra meandros do pescoço? Blá, blá, blá. Na viatura, do outro lado da rua, mais dois. De repente parece que já esperava por tudo aquilo. Um batalhão para me prender!

 

   É uma manhã isenta de sol ( acho que já disse isso...) e digo,aborrecido: "Tão cedo!"

 

    Garras metálicas a beliscarem-me o retesar dos pulsos.

 

    Vejo, à distância, a moça se esvaindo nas brumas do asfalto quente.

 

 

 

   Fev2004

 

 

  Leonardo de Magalhaens